Setor estima aumento de até 20% nos gastos com mão de obra e considera investir em self-checkouts, reorganização de equipes e contratação por hora
Os supermercados brasileiros buscam alternativas para reduzir os impactos financeiros decorrentes de alterações na jornada de trabalho e de uma possível redução da escala 6×1. Projeções do setor indicam que as novas exigências podem elevar os custos com folha de pagamento entre 15% e 20%, levando as redes a planejar investimentos em tecnologia, reformulação de escalas e novos modelos contratuais.
Uma das principais frentes avaliadas é a ampliação de caixas de autoatendimento (self-checkouts). Segundo Luis Fernando Laurenti, diretor comercial da Laurenti Elgin, a substituição pode gerar alívio financeiro relevante:
- Modelo tradicional: Quatro caixas convencionais demandam cerca de R$ 32 mil mensais (considerando custo estimado de R$ 4 mil por operador);
- Modelo com locação: Quatro totens alugados (R$ 850 cada, totalizando R$ 3,4 mil) somados a dois funcionários por turno para supervisão (R$ 8 mil em pessoal) representam um custo de R$ 11,4 mil mensais — redução de cerca de 64%;
- Modelo com aquisição direta: Exige investimento inicial aproximado de R$ 20 mil por terminal (R$ 80 mil para quatro unidades), com retorno a ser amortizado ao longo da operação.
Limites da automação no varejo
Apesar do ganho de eficiência operacional, lideranças do setor ressaltam que a tecnologia não substitui integralmente a força de trabalho. Na rede Hirota (220 lojas e cerca de 2,3 mil funcionários), que convive com déficit estimado de 12% no quadro, o diretor Hélio Freddy explica que a empresa adota os terminais, mas combina a solução com readequação de horários e da operação aos domingos.
O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erton Ortega, reforça que setores como açougue, fatiamento de frios e panificação seguem dependentes do trabalho manual especializado para preparo, manuseio e embalagem. Embora inteligência artificial e ferramentas de análise de dados aprimorem a gestão do estoque e do fluxo, a dispensa de pessoal encontra limites nas próprias exigências do atendimento.
Contratação por hora entra em debate
Como alternativa complementar, representantes varejistas defendem avançar no modelo de trabalho remunerado por hora, mantendo os direitos trabalhistas previstos em lei. A intenção é adequar a presença da equipe aos picos de movimento ao longo do dia e da semana. Para a Apas, a modalidade também poderia atrair trabalhadores que hoje estão no mercado informal e buscam opções com horários flexíveis.
Risco de repasse ao consumidor
O encarecimento da operação gera apreensão quanto ao reflexo nos preços finais dos produtos alimentícios. O presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, lembra que a capacidade de automatizar varia conforme o porte de cada empresa, já que compra, manutenção e modernização de equipamentos exigem capital que muitas redes menores não dispõem.
Caso o ganho de produtividade não seja suficiente para compensar o acréscimo nos custos trabalhistas, empresários avaliam que ao menos parte da despesa adicional precisará ser repassada às prateleiras, desafiando o setor a conciliar cumprimento das normas legais, rentabilidade e poder de compra dos clientes.
Fonte: O Hoje (com informações da Apas, FecomercioSP e Laurenti Elgin)

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