Fenômeno deve atingir o pico entre novembro e dezembro de 2026, com possibilidade de provocar ondas de calor, estiagens e chuvas intensas em diferentes regiões do Brasil
O Super El Niño de 2026 pode entrar para a história como o mais intenso dos últimos 150 anos. As previsões meteorológicas indicam que o fenômeno continuará ganhando força nas próximas semanas, com expectativa de atingir seu pico entre novembro e dezembro. O aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico preocupa especialistas pelos possíveis impactos sobre as temperaturas e a distribuição das chuvas em diferentes regiões do mundo.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta um aquecimento de aproximadamente 3,7°C acima da média na região Niño 3.4 durante o trimestre de outubro a dezembro, com pico previsto para dezembro. Modelos internacionais apontam condições de El Niño muito forte no encerramento de 2026 e no início de 2027.
O fenômeno começou a ganhar intensidade no primeiro semestre deste ano. Em agosto, a anomalia térmica na região Niño 3.4 já estava cerca de 2,5°C acima da média, alcançando aproximadamente 3,3°C em meados de outubro, segundo medições do International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia. Embora o termo "Super El Niño" não seja uma categoria meteorológica oficial, ele é empregado por cientistas para qualificar episódios de aquecimento oceânico extraordinário.
Possibilidade de recorde histórico
A possibilidade de o evento de 2026 superar marcos históricos foi levantada em análises divulgadas pela revista científica Nature em julho, apontando que o episódio em curso tem potencial para ser o mais severo em pelo menos um século e meio.
Como base comparativa, os episódios de referência incluem os eventos de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 83% a probabilidade de que os indicadores de intensidade superem os patamares observados nos principais eventos monitorados desde 1950. A confirmação definitiva de um novo recorde dependerá das observações consolidadas nos próximos meses.
Impactos no clima brasileiro
O fenômeno altera a circulação atmosférica global e interfere diretamente no regime de chuvas do território brasileiro:
- Região Sul: Tendência de precipitações substancialmente acima da média, elevando o risco de temporais severos, transbordamento de rios e inundações;
- Regiões Norte e Nordeste: Redução das chuvas e temperaturas elevadas, agravando estiagens prolongadas e focos de queimadas;
- Regiões Centro-Oeste e Sudeste: Oscilações condicionadas a outros sistemas locais, com tendência geral de calor acima da média e irregularidade na distribuição pluviométrica.
Boletim do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgado em outubro estimou em 95% a probabilidade de o El Niño manter intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Especialistas ressaltam, contudo, que os reflexos regionais dependem da interação direta com sistemas meteorológicos locais.
Continuidade em 2027
As projeções do IRI indicam que as condições oceânicas aquecidas devem persistir ao longo dos primeiros meses de 2027, iniciando um processo gradual de enfraquecimento em seguida. Em razão da inércia atmosférica, os impactos sobre temperatura e regime de chuvas tendem a se estender no continente mesmo após o início da normalização das águas do Pacífico.
Fonte: O Hoje (com informações de NOAA, OMM e INPE)

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