Lula promete mudar o jeito de governar, ataca Flávio e diz que venceu intromissão externa

Presidente Lula derrota candidato do PL no segundo turno, de virada, para um quarto mandato inéditoLula promete mudar o jeito de governar, ataca Flávio e diz que venceu intromissão externa (Foto: Flickr/Lula)

Em discurso após a vitória nas urnas, neste domingo (25), o presidente Lula (PT) prometeu mudar seu jeito de governar no novo mandato, atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que precisou vencer a intromissão de plataformas digitais na eleição.

O petista derrotou no segundo turno Flávio de virada para um quarto mandato inédito na história brasileira, após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ter largado na frente no primeiro turno. Às 23h16, com 99,99% das urnas apuradas, o presidente marcava 51,79% dos votos, ante 48,21% do adversário.

No discurso, Lula agradeceu aos eleitores, aos coordenadores de campanha e, principalmente, ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Também exaltou a juventude, os idosos e as pessoas que superaram obstáculos para ir votar.

O presidente enalteceu o tamanho das manifestações no segundo turno, em especial a da Avenida Paulista deste sábado (24). Disse que pediu para tocar o Hino da Independência e se emocionou ao ver os manifestantes cantando “ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”, afirmando que isso significa que o país não aceita ser quintal de ninguém.

Para o petista, a eleição foi marcada por interferência de plataformas digitais e é preciso avançar na regulamentação dessas empresas. Ele também afirmou que a eleição foi “uma derrota do negacionismo e da mentira” e declarou ter se sentido constrangido em ter feito debates com Flávio, a quem chamou de “representante do milicianismo”.

O tom geral do discurso foi de união. Lula afirmou que todas as religiões serão respeitadas igualmente em seu governo e defendeu o papel do Estado laico na garantia da liberdade religiosa:

“Eu não tenho preferência por nenhuma religião. Eu tenho preferência pelo respeito à fé do povo brasileiro. Este país está pronto para ser construído. Eu não vou falar a palavra unidade nacional, porque essa palavra nem sempre cabe nesse país, mas eu quero que vocês saibam: se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado. Esse país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito da Constituição.”

O presidente ainda sinalizou ao Congresso Nacional. Rebateu quem diz que ele terá dificuldade para governar devido ao perfil mais conservador do Legislativo e afirmou que é com essa composição que vai trabalhar:

“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas.”

Ele repetiu também que o governo terá maior participação na segurança pública, declarando: “Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção; para o bandido, a gente vai dar prisão”.

“Essa eleição me ensinou muitas lições. Posso dizer que vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais dessas decisões. E quero dizer a vocês que a comunicação digital vai ganhar espaço muito grande. Eu inclusive já ganhei um celular […] e pode ficar certo que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo diretamente todo dia.”

Lula agradeceu ao deputado federal André Janones (Rede-MG), que comandou um canal de WhatsApp com mais de 10 milhões de apoiadores no segundo turno, e o chamou de “general”.

Bastidores e dia de votação

Lula chegou por volta das 19h50 deste domingo no hotel onde acompanhou a apuração ao lado do filho Luís Cláudio, da primeira-dama Janja, do vice-presidente Alckmin, de ministros, ex-ministros, membros da campanha e outros aliados.

O domingo de segundo turno foi marcado por denúncias de falhas no transporte público em cidades como São Paulo e Salvador, o que levou a campanha petista a pedir a ampliação do horário de votação. A equipe de Flávio também solicitou extensão pontual em determinados municípios devido a chuvas.

Ao longo do dia, aliados petistas criticaram a demora do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, em deliberar sobre os pedidos. À tarde, o ministro Cristiano Zanin, do STF, decidiu estender o horário de votação nas seções que permaneciam abertas até as 19h.

As taxas de abstenção e de votos inválidos registraram queda em relação ao primeiro turno: cerca de 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa compareceram às urnas neste domingo, totalizando 30,4 milhões de abstenções.

  • Fonte: Alexandre Bittencourt (Folhapress) / Mais Goiás
  • Fotos: Flickr / Lula

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