A vitória de Daniel Santos (Podemos) nas eleições de 4 de outubro alterou o comando político do Pará, mas não garantiu ao governador eleito uma maioria partidária na Assembleia Legislativa do Estado (Alepa).
A composição do Parlamento para o período de 2027 a 2030 revela um cenário diferente do resultado das urnas para o Executivo: os partidos que apoiaram Hana Ghassan (MDB) conquistaram 29 das 41 cadeiras, enquanto a coligação de Daniel elegeu apenas dez deputados estaduais.
O resultado coloca o futuro governador diante de um desafio político logo no início do mandato. Para aprovar projetos de lei, mudanças administrativas, propostas orçamentárias e outras medidas que dependam do Legislativo, Daniel precisará construir uma base de apoio que ultrapasse os partidos responsáveis por sua eleição.
A diferença entre os dois grupos é expressiva. As legendas que integraram a aliança de Hana, apoiada pelo ex-governador e senador eleito Helder Barbalho (MDB), representam 70,73% da nova Assembleia. Já os partidos que participaram oficialmente da campanha de Daniel ocupam 24,39% das vagas.
Outros dois parlamentares foram eleitos pelo PDT e pelo PSOL, partidos que não integraram formalmente nenhuma das duas coligações majoritárias consideradas nesse levantamento.
MDB terá maior bancada e mantém influência no Legislativo
Apesar da derrota de Hana Ghassan na disputa pelo governo, o MDB conseguiu eleger 13 deputados estaduais, consolidando-se como a maior bancada da Assembleia Legislativa do Pará.
O desempenho mantém o partido de Helder Barbalho em posição relevante dentro do Parlamento, mesmo com a mudança no comando do Executivo estadual.
Entre os partidos que apoiaram Hana, PSD, PT e União Brasil conquistaram três cadeiras cada. Avante, Progressistas (PP) e Republicanos elegeram dois representantes por legenda, enquanto o PV garantiu uma vaga.
O resultado evidencia que a derrota na eleição majoritária não significou uma redução equivalente da representação parlamentar do grupo que esteve à frente do governo estadual.
A nova composição também poderá influenciar a escolha da Mesa Diretora da Assembleia, responsável pela condução dos trabalhos legislativos e pela organização das votações.
PL será principal força da coligação de Daniel
Na aliança que sustentou a candidatura de Dr. Daniel, o Partido Liberal (PL) conquistou sete cadeiras, formando a segunda maior bancada da Alepa.
O Podemos, partido do governador eleito, garantiu três representantes. As demais legendas da coligação, DC, Novo, PRD e Solidariedade, não conseguiram eleger deputados estaduais.
Com dez parlamentares, o grupo que apoiou Daniel está distante das 21 cadeiras necessárias para formar maioria absoluta na Assembleia.
Isso significa que, mesmo com o apoio integral dos deputados eleitos por sua coligação, o governador precisará negociar com representantes de outras legendas para assegurar a aprovação de matérias que exijam esse quórum.
A situação poderá abrir espaço para novas articulações partidárias, especialmente entre parlamentares que participaram da campanha de Hana, mas que poderão estabelecer uma relação institucional com o novo governo.
Vitória nas urnas não garante maioria na Assembleia
O resultado eleitoral produziu uma configuração política particular no Pará. Enquanto os eleitores escolheram Dr. Daniel para comandar o Executivo, a maior parte das cadeiras do Legislativo ficou com partidos associados ao grupo político derrotado na disputa pelo governo.
Esse cenário, entretanto, não significa que os 29 deputados eleitos pelas legendas aliadas a Hana atuarão automaticamente como oposição.
A formação de bancadas governistas e oposicionistas depende de negociações posteriores à eleição, posicionamentos partidários e decisões individuais dos parlamentares.
Da mesma forma, a eleição de deputados por partidos que apoiaram Daniel não garante alinhamento irrestrito a todas as propostas da futura administração.
O desenho inicial da Assembleia revela, portanto, a distribuição das forças partidárias, mas não determina antecipadamente como cada deputado votará durante a próxima legislatura.
Eleição da presidência da Alepa será primeiro teste político
Uma das primeiras disputas relevantes para o novo governo será a definição do comando da Assembleia Legislativa para o biênio 2027–2028.
A eleição da Mesa Diretora poderá indicar a capacidade de articulação do governador eleito com os diferentes grupos partidários e o grau de influência que o MDB e seus aliados manterão no Parlamento.
O presidente da Assembleia possui atribuições importantes na condução das sessões, na organização da pauta legislativa e na administração da Casa.
Por isso, a escolha do próximo dirigente poderá representar um dos momentos centrais da reorganização política do Pará após as eleições de 2026.
Daniel terá de construir maioria para governar
A composição da Alepa demonstra que a vitória eleitoral de Dr. Daniel não encerrou a disputa por influência política no estado.
De um lado, o governador eleito terá a responsabilidade de estruturar sua administração e reunir apoio parlamentar para executar seu programa de governo.
De outro, o MDB e os partidos que acompanharam Hana Ghassan chegam à nova legislatura com ampla representação e capacidade de participação nas decisões do Parlamento.
O cenário também coloca Helder Barbalho, eleito senador, como uma liderança importante nas articulações políticas que poderão ocorrer entre o novo Executivo e a Assembleia.
A partir de janeiro de 2027, o principal desafio político de Daniel Santos será transformar sua vitória nas urnas em condições de governabilidade, estabelecendo relações com um Legislativo cuja composição partidária é majoritariamente formada por legendas que estiveram do lado adversário durante a campanha.
Fonte: Portal O Fato.


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