Força-tarefa comunitária atuou ao lado do Corpo de Bombeiros para conter fogo em área de preservação. Lideranças indígenas cobram reconhecimento e pedem investigação de queimadas.
Mobilização comunitária é fundamental para proteger a savana e o território indígena. — Foto: Divulgação
Uma força-tarefa composta por brigadistas voluntários, indígenas do povo Borari e moradores mobilizou-se ao longo da noite de sexta-feira (30) e da madrugada deste sábado (31) para combater o avanço de um incêndio de grandes proporções em Alter do Chão, no município de Santarém, oeste do Pará. A mobilização comunitária atuou diretamente na linha de frente ao lado do Corpo de Bombeiros Militar e de agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
Entre as entidades que reforçaram o combate está a Rede de Brigadas do Baixo Tapajós, organização que reúne sete grupos comunitários locais. Os voluntários alcançaram a localidade a bordo da embarcação Saberes do Fogo, projeto voltado a ações preventivas e respostas emergenciais a queimadas florestais. Ao desembarcarem na vila balneária, entoaram o brado tradicional "Surara!", evocando a união em torno da salvaguarda da vegetação nativa.
O povo Borari desempenhou papel central nos trabalhos de contenção e enfatizou a legitimidade de sua ocupação territorial secular. Representantes vinculados à Associação Ipuringa e ao cacicado liderado pelo Cacique Saúde participaram ativamente da coordenação tática contra o fogo.
"Alter do Chão não é apenas um balneário ou uma vila. Ela é o território sagrado do povo Borari. Nossos caciques sempre estiveram na luta e deram o sangue por esta terra. Enquanto houver um Borari vivo, nosso território continuará de pé", declarou uma liderança indígena local.
Segundo o brigadista Daniel Almeida, que atuou na linha de contenção, nove brigadistas e cinco bombeiros militares conseguiram estabilizar as frentes com maior risco de propagação no ecossistema de savana, em um trabalho de elevado desgaste físico. Ele registrou o auxílio dos órgãos municipais e destacou que a população deve acompanhar comunicados oficiais para o envio direcionado de donativos e recursos de apoio.
Investigação e medidas emergenciais
Neste sábado, equipes da Semma e da Polícia Civil iniciaram diligências na área afetada. Um sobrevoo técnico com drone foi programado para mensurar a poligonal atingida pelas chamas e subsidiar a perícia na identificação de eventuais indícios de queimada criminosa.
No âmbito político, o deputado federal Airton Faleiro (PT-PA) encaminhou ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando a disponibilização emergencial de aeronaves especializadas para o combate aéreo ao fogo, reforço logístico às brigadas comunitárias do oeste paraense e assistência humanitária — com distribuição de cestas de alimentos e água tratada — para ribeirinhos e famílias impactadas pela severa seca na Amazônia.
As autoridades sanitárias reiteram a necessidade de cuidados preventivos frente à concentração de fuligem no ar, indicando que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas evitem a exposição desnecessária em locais abertos.
Fonte: g1 Santarém

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