Pará tem menor número de candidatos desde 2006 e registra queda de 31,6% nas eleições

Dados do TSE mostram que o Estado terá 713 candidaturas em 2026, o menor número em uma eleição geral paraense nas últimas duas décadas; especialistas apontam mudanças nas regras eleitorais como um dos fatores.As eleições de 2026 apresentam uma mudança significativa no cenário político do Pará. O Estado registra atualmente 713 candidaturas, o menor número verificado em uma eleição geral paraense desde 2006.

Na comparação com 2022, quando 1.043 candidatos participaram da disputa, houve uma redução de 330 nomes, equivalente a uma queda de 31,64%.

Os dados foram extraídos do DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até o levantamento, apenas duas das 713 candidaturas haviam sido julgadas pela Justiça Eleitoral, e a situação dos registros ainda pode sofrer alterações durante a análise dos pedidos.

A série histórica mostra a variação no número de candidatos no Estado:

  • 2006: 580 candidatos
  • 2010: 852 candidatos
  • 2014: 1.046 candidatos
  • 2018: 899 candidatos
  • 2022: 1.043 candidatos
  • 2026: 713 candidatos (até o momento)

Reforma eleitoral de 2017 e impactos no cenário

Para o cientista político André Buna, a redução no número de candidaturas não é um fenômeno isolado, mas resultado de mudanças acumuladas no sistema eleitoral e partidário brasileiro, especialmente após a reforma eleitoral de 2017.

Segundo ele, as alterações modificaram a organização dos partidos e passaram a produzir efeitos mais evidentes nas eleições seguintes.

“A gente já vem discutindo essa possibilidade de redução no número de candidaturas desde a reforma que tivemos em 2017”, afirmou.

Um dos fatores apontados é a cláusula de desempenho, que estabelece exigências eleitorais mínimas para que partidos tenham acesso a recursos e estrutura parlamentar.

Federações partidárias reduzem espaço para candidaturas

Outro ponto destacado é a criação das federações partidárias e o fim das coligações nas eleições proporcionais.

Com as federações, dois ou mais partidos passam a atuar de forma conjunta e precisam dividir o limite de candidaturas disponível, diferente do período em que cada legenda podia apresentar sua própria chapa.

“Os partidos federados não podem ter o mesmo número de candidaturas que tinham no período das coligações”, explicou André Buna.

Segundo o cientista político, o modelo reduz a quantidade de concorrentes e também funciona como estratégia de sobrevivência para partidos menores diante das novas exigências eleitorais.

Mais recursos e concentração de investimentos

Outro aspecto analisado é a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral.

Apesar do aumento do volume de recursos disponíveis para campanhas, Buna aponta que houve maior concentração dos valores em candidaturas consideradas mais competitivas pelos partidos.

“Por mais que tenhamos um volume cada vez maior de recursos disponíveis para a competição eleitoral, existe uma maior concentração desses recursos nas mãos de algumas lideranças partidárias”, avaliou.

Segundo ele, as siglas tendem a priorizar nomes com maior possibilidade de conquistar mandatos, reduzindo espaço financeiro e político para outros candidatos.

Redução de partidos e representatividade

Na avaliação do cientista político, a tendência é de continuidade no enxugamento do número de candidaturas e partidos com representação efetiva.

O processo pode reduzir a fragmentação partidária, mas também pode limitar a diversidade de grupos sociais representados no sistema político.

“A gente deseja, de fato, uma redução do número de partidos. Contudo, quanto maior o número de competidores, maior pode ser a variação da representação dentro de um sistema democrático”, afirmou.

Com 713 candidatos registrados em 2026, o Pará retorna a um patamar que não era observado havia cerca de duas décadas. Para especialistas, os números refletem mudanças estruturais que vêm redesenhando a disputa eleitoral brasileira.

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