Câmara de Parauapebas abre três comissões processantes para investigar o prefeito Aurélio Goiano

Denúncias envolvem suspeitas de racismo religioso, omissão de informações e irregularidades fiscais; prefeito também é investigado pelo Ministério Público FederalPrefeito Aurélio Goiano (Avante). Crédito: Reprodução

A Câmara Municipal de Parauapebas, no sudeste do Pará, aprovou nesta quarta-feira (5) a abertura de três comissões processantes para investigar denúncias contra o prefeito Aurélio Goiano (Avante).

A decisão foi tomada em plenário por 10 votos favoráveis e seis contrários, dando início formal às apurações no Poder Legislativo municipal.

As investigações têm como base três representações distintas apresentadas contra o chefe do Executivo.

A primeira comissão apurará uma denúncia de preconceito religioso, relacionada a declarações atribuídas ao prefeito contra religiões de matriz africana.

A segunda investigará uma possível omissão de informações por parte do Executivo municipal, devido à suposta falta de respostas a requerimentos oficiais apresentados pelos vereadores.

A terceira comissão analisará possíveis irregularidades fiscais na execução do orçamento, especialmente a abertura de créditos suplementares sem a observância das exigências legais.

Paralelamente ao processo na Câmara, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou investigações nas esferas cível e criminal contra Aurélio Goiano por suspeita de racismo religioso.

O caso ganhou repercussão após o prefeito publicar nas redes sociais um vídeo no qual aparece chutando uma oferenda deixada em via pública e fazendo declarações contra práticas religiosas de matriz africana.

Segundo o MPF, a conduta poderá configurar discriminação e violação ao direito constitucional à liberdade religiosa.

O órgão também destacou que manifestações de agentes públicos possuem capacidade de influenciar a sociedade e podem contribuir para ampliar situações de intolerância religiosa.

Em junho, o prefeito já havia sido alvo de críticas após declarar que seguidores dessas religiões seriam recebidos na prefeitura por um pastor para serem alertados sobre o “inferno”.

A abertura das comissões processantes não representa o afastamento nem a cassação imediata do mandato do prefeito.

De acordo com o rito previsto, Aurélio Goiano deverá ser notificado para apresentar sua defesa prévia por escrito.

Durante as investigações, os vereadores poderão solicitar documentos, convocar testemunhas e realizar diligências.

Ao final dos trabalhos, os pareceres produzidos pelas comissões serão submetidos à votação no plenário da Câmara, que decidirá pela absolvição ou eventual condenação política do prefeito.

Fonte: Roma News 

0 Comentários