País apresentou relatório à OPAS e à OMS comprovando índices abaixo do limite internacional de infecção pelo vírus entre crianças de até cinco anos
O Brasil solicitou à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) a validação da eliminação da transmissão vertical da hepatite B como problema de saúde pública.
A transmissão vertical ocorre quando o vírus é passado da mãe para o filho durante a gestação ou o parto.
O pedido foi formalizado na terça-feira, 28 de julho, durante uma cerimônia realizada na 26ª Conferência Internacional sobre Aids, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entregou aos diretores da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e da OPAS, Jarbas Barbosa, um relatório com dados sobre o controle da doença no país.
Segundo o documento, durante dois anos consecutivos o Brasil registrou prevalência inferior a 0,1% de infecção ativa pelo vírus da hepatite B entre crianças de até cinco anos. O índice é um dos critérios internacionais exigidos para a concessão da certificação.
Caso o pedido seja aprovado, o Brasil poderá se tornar o primeiro país das Américas a obter o reconhecimento oficial pela eliminação desse tipo de transmissão da hepatite B.
“O dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as hepatites virais. Estamos entregando formalmente o relatório do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil alcançou as metas para a eliminação da transmissão vertical da hepatite B”, destacou Alexandre Padilha.
A entrega do documento ocorreu durante um evento promovido pelo governo brasileiro e pela OMS em referência ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, com o tema “Hepatites: vamos derrubar as barreiras”.
Critérios para a certificação
Para receber o certificado de eliminação da transmissão vertical da hepatite B, o país precisa apresentar prevalência inferior a 0,1% de infecção pelo vírus entre crianças de até cinco anos.
A identificação é realizada pelo exame HBsAg, teste de sangue que detecta o antígeno de superfície do vírus da hepatite B.
De acordo com o relatório apresentado pelo Ministério da Saúde, o Brasil alcançou, durante dois anos consecutivos, uma prevalência de 0,0111%, índice abaixo do limite internacional estabelecido.
Outro critério considerado é a cobertura do acompanhamento pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 e 2025, cerca de 98% das gestantes brasileiras tiveram acompanhamento durante a gravidez.
Entre as principais medidas adotadas para impedir a transmissão vertical estão a realização de testes durante o pré-natal, o tratamento antiviral das gestantes quando necessário e a vacinação dos recém-nascidos.
O Sistema Único de Saúde também oferece ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com hepatites virais.
Para o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, os resultados alcançados demonstram a importância da vacinação e do fortalecimento dos serviços de saúde materno-infantil.
“A Região das Américas demonstrou que é possível proteger as novas gerações contra a hepatite B por meio da vacinação, de serviços sólidos de saúde materno-infantil e de um compromisso sustentado dos países. O Brasil está bem posicionado para avançar rumo a essa validação e sua experiência pode servir de inspiração para outros países da região”, afirmou.
Pedido passará por análise
A solicitação brasileira será analisada pela OPAS e revisada por um comitê independente de especialistas.
Depois dessa etapa, o processo será encaminhado ao Comitê Mundial de Validação da OMS, responsável por verificar se os critérios internacionais foram cumpridos e conceder a certificação.
Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV.
O país também assumiu o compromisso de avançar no enfrentamento de outros problemas de saúde pública, como sífilis, doença de Chagas e infecção pelo HTLV.

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