Fenômeno astronômico raro transformará o dia em noite por até 1 minuto e 40 segundos em parte do planeta
Foto: Reprodução/Nasa
Um “apagão” previsto para o próximo dia 12 de agosto promete transformar o dia em noite por alguns instantes e já mobiliza cientistas de diversos países.
O fenômeno poderá deixar milhões de pessoas no escuro por até 1 minuto e 40 segundos, desperta curiosidade nas redes sociais e será acompanhado por pesquisadores que buscam respostas para alguns dos maiores mistérios envolvendo o Sol.
Apesar do nome chamar atenção, não se trata de uma interrupção no fornecimento de energia elétrica. O chamado apagão de 12 de agosto será provocado por um eclipse solar total, quando a Lua passará exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente a luz solar em uma estreita faixa do planeta.
A escuridão será observada apenas nas regiões localizadas na chamada faixa de totalidade, principalmente no norte da Espanha e em outras áreas da Europa.
Nesses locais, o céu poderá escurecer completamente por até 1 minuto e 40 segundos, criando um cenário semelhante ao início da noite em pleno dia.
Embora o fenômeno não possa ser visto dessa forma no Brasil, ele será acompanhado em tempo real por observatórios, agências espaciais e instituições científicas espalhadas pelo mundo.
Por que o eclipse desperta tanto interesse?
Muito além do espetáculo visual, o eclipse representa uma oportunidade única para a ciência.
Durante os poucos segundos de escuridão, o brilho intenso da superfície do Sol desaparece temporariamente, permitindo que pesquisadores observem diretamente estruturas normalmente invisíveis, como a coroa solar e a cromosfera.
Essas regiões concentram informações importantes sobre o funcionamento da estrela, incluindo seu campo magnético, o comportamento do plasma e os mecanismos responsáveis pelas explosões solares.
A coroa solar, por exemplo, pode atingir temperaturas próximas de 2 milhões de graus Celsius e se estende por cerca de 10 milhões de quilômetros além da superfície do Sol.
Tempestades solares estão entre os principais alvos das pesquisas
Os cientistas também pretendem aproveitar o eclipse para entender melhor como surgem as chamadas tempestades solares.
Esses fenômenos lançam partículas altamente energéticas em direção ao espaço. Quando atingem a Terra, elas podem interferir em satélites, sistemas de comunicação, redes elétricas, equipamentos de navegação por GPS e até missões espaciais.
Além dos impactos tecnológicos, as tempestades solares também são responsáveis pelas auroras boreais e austrais observadas nas regiões polares.
A expectativa é que as informações obtidas durante o eclipse ajudem a aprimorar os modelos de previsão desses eventos e reduzam riscos para infraestruturas críticas em todo o mundo.
Eclipse já ajudou a mudar a história da ciência
Os eclipses solares já foram responsáveis por algumas das descobertas mais importantes da física.
Em 1919, durante um eclipse observado na Ilha do Príncipe, na África, o astrônomo britânico Arthur Eddington confirmou experimentalmente a Teoria da Relatividade Geral, formulada por Albert Einstein.
Na ocasião, ele conseguiu comprovar que a gravidade do Sol desviava a luz das estrelas, um efeito conhecido como lente gravitacional.
A observação somente foi possível porque a luminosidade solar estava temporariamente bloqueada pela Lua.
Missões espaciais acompanham o Sol continuamente
Além das observações realizadas durante o eclipse, diferentes missões continuam monitorando o comportamento do Sol ao longo do ano.
A Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, coleta informações sobre a atividade solar desde 2020.
Já a missão Proba-3 foi desenvolvida para produzir eclipses artificiais no espaço, permitindo análises prolongadas da coroa solar.
Os dados dessas missões são considerados fundamentais para compreender melhor a estrela responsável pela vida na Terra e prever fenômenos capazes de afetar tecnologias utilizadas diariamente pela população.
Quem será afetado pelo apagão de 12 de agosto?
O chamado apagão de 12 de agosto será sentido apenas pelas pessoas que estiverem na faixa de totalidade do eclipse, principalmente em regiões do norte da Espanha e em outros pontos da Europa.
No Brasil, o eclipse não produzirá a mesma escuridão e, em grande parte do território, sequer será observado.
Especialistas também alertam para os cuidados durante a observação. Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.
A recomendação é utilizar apenas óculos certificados pela norma ISO 12312-2 ou recorrer a métodos indiretos de observação, evitando danos permanentes à visão.
Com duração de apenas 1 minuto e 40 segundos em sua fase máxima, o fenômeno promete transformar o céu em um laboratório natural e ajudar cientistas a compreender melhor o comportamento do Sol e seus impactos sobre a Terra.
Fonte: GCMAIS

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