Os canários resgatados pela Polícia Rodoviária Federal foram apreendidos em um ônibus na BR-163 e passaram por avaliação veterinária antes de serem devolvidos à natureza em Santarém
Aves devolvidas à natureza — Foto: Divulgação: Cibele Pixinine/ CCOM
A soltura de 317 pássaros resgatados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) acende um alerta sobre a rota do tráfico de animais silvestres em Santarém, no oeste do Pará.
O caso destaca a preocupação das autoridades e evidencia que a região continua sendo utilizada por criminosos para o transporte ilegal de aves e outros animais silvestres, abastecendo mercados clandestinos em outras partes do país.
As aves foram apreendidas no dia 10 de julho durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal na BR-163. Os agentes encontraram aves silvestres da espécie canário sendo transportadas ilegalmente em um ônibus interestadual, sem qualquer documentação que comprovasse a origem legal dos animais.
De acordo com Sidmar, chefe da 5ª Delegacia da PRF, a ação reforça a importância do trabalho conjunto entre os órgãos de fiscalização no combate ao tráfico de animais silvestres e na recuperação das aves resgatadas.
O caso foi registrado na 16ª Seccional Urbana de Polícia Civil. Em seguida, os animais foram encaminhados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que adotou os procedimentos necessários para garantir a recuperação das aves.
No dia seguinte, um médico-veterinário do ZooUnama realizou uma avaliação clínica e constatou que as aves estavam aptas para retornar à natureza.
A devolução das aves ocorreu em diferentes áreas de Santarém durante o fim de semana. Para minimizar impactos ambientais e favorecer a readaptação dos animais, a Semma realizou a soltura em vários pontos do município.
Entre os locais escolhidos estão:
- Praça da Vera Paz;
- Orla da Cidade;
- Orla do Mapiri;
- Região do Juá;
- Comunidade de Pajuçara;
- Comunidade de Carapanari.
Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, a ação demonstra a importância da atuação integrada entre os órgãos de fiscalização para combater o tráfico de animais silvestres.
“O comércio ilegal de animais silvestres provoca graves prejuízos à biodiversidade, e a parceria entre a PRF, a Polícia Civil e a Semma é essencial para garantir que os canários recebam os cuidados necessários antes de serem devolvidos ao habitat natural”, destacou.
Oeste do Pará é rota para o tráfico de animais
A apreensão registrada em Santarém não é um caso isolado. Em fevereiro deste ano, uma operação da Base Integrada Fluvial Candiru, em Óbidos, resultou na apreensão de mais de 140 animais silvestres transportados ilegalmente pelos rios da região.
Entre os animais resgatados estavam filhotes de quelônios, jacarés e serpentes, encontrados em condições inadequadas durante a fiscalização.
De acordo com os órgãos de segurança ambiental, animais dessas espécies são retirados de seus habitats e transportados por rios e rodovias até outros estados brasileiros.
A combinação entre a extensa malha hidroviária e as principais rodovias federais faz do oeste do Pará uma das principais rotas utilizadas por traficantes de animais silvestres.
O capitão Wanderson Queiroz, comandante da 1ª Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipamb) de Santarém, destacou que crimes ambientais envolvendo aves, quelônios e pescado são recorrentes na região.
Ele ressaltou que a fiscalização tem ajudado a reduzir essas ocorrências, previstas na Lei de Crimes Ambientais.
Colaboração: Lira Letícia Reis.

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