Poeira e tremores levam moradores de Canaã dos Carajás a denunciar a Vale ao MPF

Vizinhos de complexo minerador na Vila Bom Jesus relatam rachaduras em casas, problemas de saúde e restrições para pescar.Viver ao lado de uma das maiores operações de extração de minério do país tem sido um desafio diário para as famílias da Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. Cansados de conviver com o barulho, a terra tremendo e o ar pesado, os moradores decidiram denunciar formalmente os impactos das atividades da Vale S.A. ao Ministério Público Federal (MPF).

O órgão, que já investiga a situação, realizou vistorias na área do Projeto Sossego para ouvir de perto quem sente na pele as consequências da vizinhança com a mineradora.

Os relatos colhidos durante a inspeção desenham um cenário preocupante para a comunidade. Segundo os residentes, as fortes explosões provocadas pela atividade mineradora geram tremores constantes que estão abrindo rachaduras nas paredes das casas.

Para piorar, a atividade levanta imensas nuvens de poeira que cobrem a região, destruindo as plantações locais e gerando um aumento visível de problemas respiratórios e outras doenças crônicas na população.

A crise também atinge o Rio Parauapebas, essencial para a subsistência local. Os moradores apontam que o despejo de rejeitos tem secado o leito e alterado a fauna do rio, provocando dores de estômago e infecções em quem consome a água.

Além disso, pescadores denunciam que estão sendo impedidos de trabalhar, sofrendo abordagens intimidadoras de seguranças privados da mineradora, que chegam a confiscar barcos e equipamentos.

Para tirar a prova real, o MPF decidiu fechar o cerco e aprofundar as investigações. Uma parceria firmada com a Universidade Federal do Pará (UFPA) vai colocar engenheiros sanitários e biólogos para analisar a fundo a qualidade da água e do solo na Vila Bom Jesus.

Ao mesmo tempo, antropólogos da instituição vão produzir um estudo para documentar todas as transformações sociais e perdas econômicas sofridas pela comunidade desde a chegada da mina, servindo de base para possíveis punições e reparações judiciais.

Em nota, a Vale informou que adota rigorosos controles ambientais em suas operações, o que inclui o monitoramento contínuo da qualidade da água, do ar por meio de estações específicas, além dos níveis de ruído e vibração.

A companhia ressaltou que os resultados dessas análises são reportados regularmente aos órgãos competentes, em conformidade com a legislação vigente.

Quanto às restrições no Rio Parauapebas, a mineradora esclareceu que o acesso ao local é regulado por normas ambientais da própria região, e não por uma determinação da empresa.

Como alternativa para fortalecer a economia local, a Vale destacou a implementação de projetos de aquicultura voltados para as famílias que historicamente dependem da pesca, reforçando seu compromisso com o diálogo aberto e contínuo com as comunidades impactadas.

Fonte: Roma News

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