Levantamento baseado em investigação da Polícia Federal indica que recursos supostamente controlados pelo presidente do PL foram destinados a municípios administrados pelo partido.
Foto: Divulgação
A Polícia Federal afirma que Valdemar Costa Neto controlava indicações de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo.
Mais de R$ 80 milhões teriam sido destinados a cidades comandadas por prefeitos filiados ao Partido Liberal.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões relacionados às emendas investigadas.
A defesa de Valdemar nega irregularidades e afirma que a decisão judicial se baseia em “premissas frágeis”.
Investigação aponta influência sobre emendas
Uma investigação da Polícia Federal aponta que o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, teria exercido influência sobre a destinação de emendas parlamentares, mesmo sem ocupar cargo eletivo.
Com base nas apurações, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou, na sexta-feira (10), a indisponibilidade de R$ 119.216.703,15 relacionados a emendas de comissão e da Mesa Diretora supostamente controladas por Valdemar.
Segundo a decisão, existem indícios de que os recursos públicos tenham sido direcionados para atender a interesses específicos. O caso ainda será analisado durante o andamento da investigação.
Cidades que receberam os maiores valores
Um levantamento baseado nos dados da investigação mostra que mais de R$ 80 milhões das emendas atribuídas a Valdemar foram destinados a municípios administrados por prefeitos filiados ao PL.
Os maiores repasses identificados foram:
- Suzano (SP): R$ 26,8 milhões;
- Porto Seguro (BA): R$ 25 milhões;
- Santa Fé do Sul (SP): R$ 9,57 milhões;
- Bebedouro (SP): R$ 9 milhões;
- Ubatuba (SP): R$ 7 milhões;
- Mogi das Cruzes (SP): R$ 3 milhões;
- Macedônia (SP): R$ 220 mil;
- Ilha Solteira (SP): R$ 220 mil.
Outros R$ 5,2 milhões também foram destinados a municípios cujos prefeitos venceram as eleições de 2024 por meio de coligações que incluíam o PL.
O que diz a Polícia Federal
A Polícia Federal sustenta que Valdemar Costa Neto teria atuado na definição do destino de recursos do Orçamento da União por meio de emendas parlamentares, embora não exerça mandato no Congresso Nacional.
As informações fazem parte da investigação que embasou a decisão do STF e incluem documentos, mensagens e outros elementos coletados durante a Operação Transparência.
O inquérito permanece em andamento e ainda não existe decisão definitiva sobre uma possível responsabilização dos investigados.
Defesa de Valdemar contesta acusações
Em nota, a defesa do presidente do PL afirmou ter recebido com surpresa a decisão do ministro Flávio Dino.
Segundo os advogados, a determinação estaria baseada em “premissas frágeis” e “inferências subjetivas”, além de promover uma suposta “criminalização da atividade político-partidária”.
A defesa afirma ainda que Valdemar Costa Neto nega qualquer prática criminosa, que não existem provas de sua participação consciente em uma organização criminosa e que é legítimo que presidentes de partidos dialoguem com parlamentares e exerçam influência política sobre suas bancadas.
Próximos passos no STF
Com o bloqueio determinado pelo ministro Flávio Dino, a execução das emendas investigadas permanecerá suspensa enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa os elementos apresentados pela Polícia Federal.
O processo seguirá com a manifestação das partes e a análise das provas antes de qualquer decisão sobre uma possível responsabilidade dos envolvidos.
Fonte: AM Post

0 Comentários