Medida cautelar tem validade inicial de 30 dias e será analisada pelo Conselho Seccional. Wlandre Gomes Leal é investigado pela morte da esposa, Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos.
OAB Subseção Santarém, oeste do Pará. — Foto: Divulgação
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) suspendeu cautelarmente, nesta segunda-feira (20), o exercício profissional do advogado Wlandre Gomes Leal, preso e investigado pela morte da esposa, Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, em Santarém, no oeste do Pará.
A decisão foi assinada pelo presidente da OAB-PA, Sávio Barreto, tem efeito imediato e validade de 30 dias. A medida ainda será submetida à análise do Conselho Seccional da entidade.
Além da suspensão profissional, a Ordem determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que deverá instaurar uma representação ético-disciplinar contra o advogado.
Segundo a OAB-PA, o procedimento seguirá os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Em nota, a entidade destacou que a suspensão possui caráter excepcional e não representa antecipação de julgamento ou aplicação de sanção disciplinar definitiva.
A medida foi adotada, segundo a Ordem, diante da gravidade dos fatos investigados e da repercussão social do caso, com o objetivo de preservar a dignidade da advocacia, a confiança da sociedade na instituição e a imagem da OAB.
A OAB-PA informou ainda que continuará assegurando ao advogado as prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia enquanto ele permanecer inscrito nos quadros da entidade. Entre elas está o direito à custódia em sala de Estado-Maior ou local equivalente, conforme previsto na legislação.
A entidade ressaltou que essa atuação institucional não interfere na investigação criminal conduzida pela Polícia Civil.
Prisão temporária
Também nesta segunda-feira, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Wlandre Gomes Leal em prisão temporária pelo prazo de 30 dias, após audiência de custódia.
A decisão poderá ser prorrogada caso seja considerada necessária para o avanço das investigações.
O advogado foi preso na noite de domingo (19), suspeito de feminicídio. Inicialmente, ele afirmou que a esposa teria tirado a própria vida, mas, segundo a Polícia Civil, os primeiros levantamentos apontaram indícios que afastam essa hipótese.
De acordo com os investigadores, inconsistências na versão apresentada pelo suspeito, características do ferimento encontrado no corpo da vítima e vestígios recolhidos no apartamento motivaram a autuação em flagrante por feminicídio.
O delegado Kleidson Castro informou que o estado do sangue encontrado no imóvel, o intervalo entre a ocorrência e o acionamento do socorro e a natureza da lesão sofrida por Tainá levantaram dúvidas sobre a dinâmica apresentada pelo advogado.
A Polícia Civil também apura relatos de possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
Imagens das câmeras de segurança do condomínio, laudos periciais, análises da faca utilizada na ocorrência e dos ferimentos apresentados pelo suspeito deverão contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos.
A defesa de Wlandre Gomes Leal informou que só irá se manifestar após analisar os desdobramentos da investigação.
Já a família de Tainá Yarina dos Santos Cardoso divulgou nota pedindo respeito à memória da vítima e afirmou confiar na apuração conduzida pelas autoridades, sem comentar versões sobre o caso enquanto o inquérito policial estiver em andamento.
Nota da OAB-PA
Em nota oficial, a OAB-PA informou que a suspensão cautelar foi adotada em razão da gravidade dos fatos investigados e da ampla repercussão do caso.
A entidade reiterou que a medida não representa antecipação de juízo de culpa e tem como finalidade preservar a dignidade da advocacia, a confiança pública na instituição e a imagem da Ordem.
A Seccional também informou que o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina para instauração de procedimento ético-disciplinar e ressaltou que continuará garantindo ao advogado as prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia, sem qualquer manifestação sobre o mérito da investigação criminal, que segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
Fonte: G1 Santarém

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