Lula trata minerais críticos como novo pré-sal, e governo avalia entrada de BNDES e Petrobras em empresas do setor

Governo avalia ampliar participação estatal na exploração de minerais estratégicos e criar mecanismos para financiar pesquisas e novos projetos.Lula trata minerais críticos como novo pré-sal, e governo avalia entrada de BNDES e Petrobras em empresas do setor (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia uma nova estratégia para ampliar a participação brasileira no setor de mineração, especialmente na exploração dos chamados minerais críticos.

Em reunião realizada no Palácio do Planalto, Lula e seus auxiliares discutiram a possibilidade de participação do BNDESPar e da Petrobras em empresas do setor, além da criação de linhas de crédito para pesquisas e projetos de prospecção mineral.

O que são minerais críticos

Minerais críticos são matérias-primas consideradas estratégicas para tecnologias modernas, transição energética, indústria de defesa e produção de equipamentos.

Eles recebem essa classificação porque o fornecimento mundial está concentrado em poucos países ou porque o processo de beneficiamento e refino apresenta desafios.

Entre esses minerais estão as chamadas terras raras, utilizadas em equipamentos eletrônicos, baterias, motores elétricos e tecnologias avançadas.

Comparação com o pré-sal

Durante as discussões, o potencial dos minerais críticos foi comparado ao período da descoberta do pré-sal, em 2006.

A ideia do governo é que o Brasil não apenas exporte minério bruto, mas desenvolva uma cadeia nacional com pesquisa, beneficiamento, tecnologia e produção industrial.

Participação do BNDES e Petrobras

Uma das propostas em avaliação é a criação de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) envolvendo o BNDESPar e a Petrobras.

O objetivo seria investir em projetos considerados estratégicos, ajudando empresas desde a fase de pesquisa até a implantação de estruturas industriais.

A Petrobras não teria como objetivo atuar diretamente como mineradora, mas participar como investidora em projetos ligados à indústria nacional.

Mudança de estratégia

Inicialmente, o governo chegou a avaliar a criação de uma nova estatal voltada ao setor mineral, chamada informalmente de Terrabrás.

A proposta enfrentou resistência de especialistas e empresários, que apontaram riscos de aumento da intervenção estatal.

Com isso, ganhou força uma alternativa baseada no uso de instituições já existentes, como BNDES, Petrobras e outras estruturas públicas.

Reduzir exportação de matéria-prima

A estratégia busca reduzir a dependência do Brasil da exportação de produtos minerais sem transformação.

O governo defende que o país precisa avançar em etapas mais lucrativas da cadeia produtiva, como:

  • refino;
  • metalurgia;
  • desenvolvimento tecnológico;
  • fabricação de produtos industriais.

Financiamento e investimentos

Além da participação do BNDES e Petrobras, o governo avalia ampliar mecanismos de garantia para atrair investidores privados.

Também estão em discussão recursos de fundos públicos ligados à transição energética e sustentabilidade.

A avaliação é que muitas empresas do setor possuem projetos promissores, mas enfrentam dificuldades para financiar pesquisas e iniciar operações.

Debate internacional

O interesse mundial pelos minerais críticos aumentou devido à disputa tecnológica e energética entre grandes economias.

O governo brasileiro afirma que o país possui grande potencial mineral e que deve buscar maior participação na cadeia global, não apenas como fornecedor de matéria-prima.

Lula afirmou que o Brasil deve transformar seus recursos naturais em conhecimento, tecnologia e produtos de maior valor agregado.

Fonte: Mais Goiás / Folhapress

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