Famep alerta para impacto da PEC dos agentes de saúde no Pará

Entidade aponta que novas regras de aposentadoria de agentes de saúde podem gerar sobrecarga fiscal para as gestões municipais do estado.A Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep) manifestou forte apreensão após o Senado aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, na terça-feira (14).

O projeto estabelece novas regras de contratação e previdência para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Aprovada em dois turnos no plenário do Senado, a emenda constitucional segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.

A medida provoca debates entre as administrações municipais, uma vez que a Confederação Nacional de Municípios (CNM) já havia alertado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre as possíveis consequências fiscais do projeto.

A entidade nacional classificou a aprovação do texto como uma “pauta-bomba” e projetou um impacto previdenciário atuarial de até R$ 69,9 bilhões para os cofres municipais em todo o país.

De acordo com posicionamento oficial da Famep, a principal preocupação é que a PEC transfira novas e pesadas obrigações às prefeituras sem estabelecer uma contrapartida financeira por parte do Governo Federal.

“A PEC não indica a fonte de custeio para as novas despesas, o que fere o equilíbrio fiscal e o pacto federativo, além de que os municípios já enfrentam um cenário de receitas estagnadas e aumento de outras obrigações, como o piso nacional do magistério”, afirmou a federação.

Como a PEC 14/2021 pode impactar o orçamento das cidades do Pará?

O possível impacto nos 144 municípios paraenses preocupa as administrações locais.

Segundo a Famep, os prefeitos poderão enfrentar um aumento expressivo na folha de pagamento em razão das novas regras de aposentadoria diferenciada e dos reajustes automáticos vinculados aos servidores que permanecem em atividade.

A sobrecarga financeira deve atingir principalmente os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) dos municípios, que, segundo a entidade, já enfrentam déficits atuariais.

Com o aumento das despesas previdenciárias, as prefeituras temem a redução dos recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais de atendimento à população.

A falta de recursos federais específicos poderá obrigar os municípios a remanejar verbas inicialmente destinadas a setores como saúde, educação e infraestrutura básica.

“Qualquer nova obrigação imposta sem a devida fonte de custeio compromete a capacidade das prefeituras de prestar serviços essenciais à população. É exatamente isso que tememos para o Pará”, reiterou a Famep.

Famep e CNM farão levantamento técnico dos impactos

Questionada sobre o tamanho do impacto financeiro para o Pará, a federação informou que ainda não possui dados detalhados sobre cada município.

A realização de um estudo passou a ser tratada como prioridade técnica para que as prefeituras possam avaliar os efeitos da medida e buscar alternativas junto ao Governo Federal.

“A Famep, neste momento, não dispõe de uma estimativa detalhada e específica para o conjunto dos 144 municípios paraenses. Contudo, já estamos mobilizados para realizar esse levantamento o mais brevemente possível”, informou a entidade.

A Famep pretende cruzar informações com a Confederação Nacional de Municípios, considerando o número de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias em atividade no Pará, além das condições fiscais e previdenciárias de cada município.

A categoria dos trabalhadores é representada pelo Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias dos Municípios do Estado do Pará (Sinasce-PA), que não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Com informações de O Liberal.

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