Investigação da Polícia Federal indica que ex-dirigente do FNDE no governo Bolsonaro negociava valores, destinos e indicações de emendas parlamentares.
Foto: Agência Brasil
A Polícia Federal aponta que Garigham Amarante atuava como interlocutor de Valdemar Costa Neto na distribuição de emendas parlamentares.
As informações embasaram a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 119 milhões relacionados às emendas atribuídas ao presidente do PL.
As mensagens analisadas foram encontradas no celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.
Procurado pela imprensa, Garigham Amarante informou que não se manifestará sobre o caso.
PF aponta ex-diretor do FNDE como operador de emendas
A Polícia Federal aponta o advogado Garigham Amarante, ex-diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, como um dos principais operadores das negociações envolvendo emendas parlamentares atribuídas ao presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
Segundo a investigação, Amarante também ocupava um cargo de natureza especial na liderança do PL na Câmara dos Deputados.
O que afirma a Polícia Federal
De acordo com o relatório da Polícia Federal, Garigham Amarante atuava como principal interlocutor entre Valdemar Costa Neto e os servidores responsáveis pela operacionalização das emendas parlamentares.
Segundo os investigadores, ele seria responsável por:
- negociar os valores das emendas;
- discutir as áreas que receberiam os recursos;
- transmitir orientações atribuídas ao presidente do PL;
- encaminhar listas de municípios e CNPJs beneficiados.
As informações fazem parte da investigação utilizada pelo ministro Flávio Dino na decisão que determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 119 milhões relacionados ao suposto esquema.
Como a investigação chegou ao advogado
Segundo a Polícia Federal, as evidências foram obtidas após a análise do celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.
O aparelho foi apreendido durante a Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025.
Entre as mensagens analisadas, os investigadores afirmam que Garigham informou ter agendado uma reunião com Valdemar Costa Neto e, posteriormente, tratou da destinação de aproximadamente R$ 24 milhões para a área do Turismo.
Em outro trecho citado pela Polícia Federal, ele teria perguntado se havia sido definido o “valor do Pres. Valdemar”, afirmado que “24 milhões tá bom” e encaminhado uma lista com municípios e os respectivos CNPJs.
Procurado pela imprensa, Garigham Amarante informou que não comentará o caso.
Valdemar Costa Neto também contesta as acusações apresentadas pela investigação em outros processos relacionados às emendas parlamentares.
A investigação permanece em andamento e ainda será analisada pela Justiça.
O que diz a decisão de Flávio Dino
As informações levantadas pela Polícia Federal embasaram a decisão do ministro Flávio Dino que determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 119 milhões relacionados às emendas atribuídas a Valdemar Costa Neto.
A decisão integra uma investigação sobre a destinação e a execução de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
O mérito da ação ainda será analisado pelo Supremo Tribunal Federal.
Quem é Garigham Amarante
Garigham Amarante atuou como diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação durante o governo Bolsonaro.
O advogado também foi citado em reportagens publicadas em 2022 após adquirir um veículo de luxo considerado incompatível com sua remuneração na época.
Segundo informações divulgadas anteriormente, ele financiou uma Mercedes-Benz GLB 200, avaliada em aproximadamente R$ 330 mil, enquanto ocupava um cargo público com remuneração estimada em pouco mais de R$ 10 mil mensais.
Esse episódio não faz parte da atual investigação da Polícia Federal, mas foi mencionado como um antecedente envolvendo o ex-dirigente.
Fonte: AM Post

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