“Eu não sei nadar, mas nadei”: sobrevivente relata luta para escapar de micro-ônibus que caiu no Rio Curuá-Una, em Santarém

Marinete Caetano contou que conseguiu sair do veículo submerso, enfrentou a correnteza e ficou cerca de duas horas agarrada a galhos até conseguir pedir socorroAs polícias e as equipes de resgate foram acionadas para prestar socorro imediato e iniciar as investigações — Foto: Redes Sociais

A única sobrevivente do acidente com um micro-ônibus que caiu da ponte sobre o Rio Curuá-Una, na PA-370, em Santarém, relatou momentos de desespero e fé durante a luta para escapar do veículo e sobreviver à forte correnteza.

Marinete Caetano Oliveira contou que estava no micro-ônibus junto com o filho e o cunhado quando o acidente aconteceu na madrugada desta segunda-feira (27). O motorista Denilson Deodoro e o adolescente Kailan Oliveira continuam desaparecidos. As buscas devem ser retomadas pelas equipes de resgate.

Segundo Marinete, ela acredita que o motorista pode ter dormido ao volante antes da queda. “Eu acho que o Denilson dormiu no volante. Eu não sei o que aconteceu, coitadinho”, relatou.

Após o veículo cair da ponte, a água invadiu rapidamente o micro-ônibus. A sobrevivente contou que precisou lutar contra o desespero para encontrar uma saída.

“Na mesma hora que caiu, quebrou o carro e entrou água para dentro. Eu acho que engoli uns 50 litros de água. Eu afoguei”, disse.

Mesmo sem saber nadar, Marinete afirmou que conseguiu encontrar forças para tentar sobreviver.

“Eu pedi para Deus calma. Fui procurar uma brecha para sair. Levei um corte grande no meu queixo e meu corpo está todo machucado”, contou.

Ela relatou que conseguiu deixar o veículo e precisou enfrentar a correnteza do Rio Curuá-Una.

“Eu não sei nadar, mas nadei. Demorou para eu sair do fundo do rio. Segurei a respiração e fui mexendo os braços”, afirmou.

Após chegar à superfície, Marinete encontrou apenas destroços do micro-ônibus sendo levados pela força da água. Ela ainda tentou localizar o filho e o cunhado, mas não conseguiu encontrá-los.

“Eu olhava para ver se o menino mexia no meu braço, mas não vi ninguém”, relatou.

Depois de alcançar a margem do rio, a sobrevivente permaneceu aproximadamente duas horas agarrada a galhos, tentando recuperar as forças e suportar os ferimentos.

“Fiquei quase duas horas dentro da água tentando respirar, me segurando, porque estava extremamente cansada. Meu corpo ficou cheio de espinhos. Eu precisava deitar toda hora porque não suportava a dor”, contou.

Com um corte profundo no queixo, ela também precisou controlar o sangramento enquanto caminhava em busca de ajuda.

Pedido de socorro

Marinete contou que o acidente aconteceu durante a madrugada e que só conseguiu chegar até a estrada próximo das 6h da manhã.

“Eu vi as luzes dos carros e pensei: ‘um anjo vai parar para mim’. Mas ninguém parava”, disse.

Ela então atravessou a ponte a pé até encontrar pessoas que aguardavam transporte e pediu ajuda.

“Eu gritei pedindo socorro. Eles foram me acudir e me levaram para Santarém”, relatou.

A sobrevivente recebeu os primeiros atendimentos na Vila de Guaraná e depois foi encaminhada para o Hospital Municipal de Santarém.

O acidente aconteceu quando o micro-ônibus seguia de Uruará para Santarém e caiu da ponte sobre o Rio Curuá-Una. Equipes do Corpo de Bombeiros continuam realizando buscas pelos dois desaparecidos.

Fonte: G1 Santarém 

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