O pré-candidato ao Governo do Pará, Dr. Daniel Santos, tentou transformar a situação do Hospital Santo Antônio, em Alenquer, em palanque político. O problema é que o discurso apresentado no vídeo ignora um detalhe fundamental: a estrutura utilizada como cenário para a crítica recebeu milhões de reais do próprio Governo do Estado.
Durante a gravação, Dr. Daniel afirmou que encontrou uma unidade hospitalar com uma UTI pronta, mas sem uma política estadual para colocá-la em funcionamento.
A declaração causa impacto nas redes sociais, mas não apresenta a verdade completa dos fatos.
O que o pré-candidato não contou à população é que o Governo do Pará destinou recursos públicos para a reforma, ampliação, instalação dos leitos de terapia intensiva e aquisição de equipamentos hospitalares.
Em outras palavras: Dr. Daniel gravou um vídeo criticando o Estado dentro de uma estrutura financiada pelo próprio Estado.
Documentos desmontam narrativa apresentada no vídeo
O Termo de Fomento nº 01/2018, celebrado entre a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará — Sespa e a Sociedade Beneficente Santo Antônio, estabeleceu investimento de R$ 4.740.022,50.
Os recursos foram destinados à reforma e ampliação do hospital, implantação de dez leitos de UTI adulta, Central de Material Esterilizado, Central de Abastecimento Farmacêutico, lavanderia, setor de nutrição, central de gases e compra de equipamentos e materiais permanentes.
Portanto, afirmar que faltou apoio estadual sem mencionar esse investimento é apresentar apenas a parte da história que favorece o discurso eleitoral.
A estrutura não apareceu por acaso.
Os equipamentos não chegaram por mágica.
Os leitos não foram instalados sem dinheiro público.
Foi o Governo do Pará que financiou grande parte da estrutura exibida no vídeo.
Crítica ignora que hospital é administrado por entidade privada
Outro ponto convenientemente deixado de lado é que o Hospital Santo Antônio não é administrado diretamente pelo Governo do Estado nem pela Prefeitura de Alenquer.
A administração está sob responsabilidade de uma entidade filantrópica privada, a Sociedade Beneficente Santo Antônio, que recebeu os recursos e assumiu obrigações relacionadas à execução do projeto, gerenciamento financeiro, manutenção dos serviços e prestação de contas.
Isso significa que a responsabilidade pelo funcionamento da unidade não pode ser atribuída de maneira simplista exclusivamente ao Estado.
Existem compromissos da entidade administradora, exigências técnicas, licenciamento, contratação de profissionais especializados e custos permanentes para manter uma UTI funcionando.
Ignorar tudo isso e apontar apenas para o Governo do Pará pode render curtidas, compartilhamentos e discurso de campanha, mas não ajuda a população a compreender a realidade administrativa do hospital.
Estado investiu pesado na saúde do Baixo Amazonas
A tentativa de apresentar o Governo do Pará como ausente na saúde do Baixo Amazonas também perde força diante dos investimentos realizados em Oriximiná.
O Hospital Regional Menino Jesus recebeu investimento estadual superior a R$ 60 milhões e foi entregue pelo Governo do Pará em outubro de 2024.
A unidade oferece atendimentos de urgência e emergência, internações, exames, especialidades médicas e leitos de Unidade de Terapia Intensiva.
O hospital atende pacientes de Oriximiná e de outros municípios da região, ampliando o acesso aos serviços de média e alta complexidade e evitando que moradores precisem percorrer grandes distâncias em busca de tratamento.
Não há como negar: o hospital foi construído com recursos estaduais e é custeado pelo Governo do Pará.
Tentar associar essa conquista a gestores municipais que não financiaram a obra é desconsiderar quem realmente colocou os recursos e executou o empreendimento.
Palanque montado sobre obra financiada pelo Estado
Fiscalizar o poder público é legítimo. Cobrar melhorias também.
O que não é aceitável é esconder da população os investimentos já realizados para construir uma narrativa política conveniente.
Ao aparecer diante de uma UTI financiada com recursos estaduais e não informar quem pagou pela reforma, pelos equipamentos e pela implantação dos leitos, Dr. Daniel entrega um discurso incompleto e politicamente calculado.
A população de Alenquer merece saber por que a UTI ainda não está funcionando plenamente.
Mas também merece saber que o Estado não cruzou os braços, como o vídeo tenta sugerir.
O Governo do Pará investiu na estrutura, destinou recursos, comprou equipamentos e ampliou a capacidade hospitalar.
Se existem pendências para a abertura dos leitos, elas precisam ser apuradas com responsabilidade, envolvendo a entidade que administra o hospital e todos os órgãos competentes.
O que não pode acontecer é a verdade ser sacrificada para alimentar discurso eleitoral.
A pergunta que Dr. Daniel não respondeu
Se o Governo do Pará não tivesse investido, existiria hoje a estrutura usada como cenário para o vídeo?
A resposta está nos documentos.
Não se pode posar diante de uma obra bancada pelo Estado e depois tentar convencer a população de que o Estado nada fez.
O discurso pode ser forte nas redes sociais, mas os documentos são ainda mais fortes.
E, neste caso, eles mostram que enquanto alguns tentam colher dividendos políticos, foi o Governo do Pará que colocou dinheiro público para fortalecer a saúde de Alenquer e de todo o Baixo Amazonas.
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