Depois de 52 anos trabalhando sem salário, mulher é resgatada e receberá mais de R$ 600 mil

Trabalhadora doméstica de 69 anos foi encontrada em condições análogas à escravidão em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro; acordo judicial garantiu indenização e pensão vitalícia.O resgate de uma trabalhadora doméstica de 69 anos, submetida durante 52 anos a serviços sem salário em uma residência de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, resultou em um acordo de aproximadamente R$ 645 mil.

A operação ocorreu no dia 14 de julho de 2026 e contou com a atuação do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), auditores-fiscais do Trabalho e a Polícia Federal.

A fiscalização teve início após uma denúncia informar que a mulher estaria vivendo em condições semelhantes à escravidão há mais de três décadas. Após diligências e autorização judicial para entrada no imóvel, os agentes ouviram a trabalhadora e os empregadores e constataram que ela prestava serviços na residência havia 52 anos sem nunca ter recebido remuneração.

Além das atividades domésticas, a mulher cuidou do filho da empregadora durante a infância e, posteriormente, passou a atuar como cuidadora da própria patroa, que possui problemas de saúde.

Os empregadores alegaram que ela era tratada “como parte da família”, mas a fiscalização constatou que a trabalhadora nunca teve carteira assinada, não possuía plano de saúde, não concluiu os estudos e permaneceu sem direitos trabalhistas básicos.

Acordo garante indenização e pensão vitalícia

Em 15 de julho, uma audiência administrativa conduzida pela procuradora do Trabalho Tathiane Menezes, com participação do auditor-fiscal Raul Cappareli Vital, formalizou um Termo de Ajuste de Conduta.

Os nomes dos empregadores e o número do procedimento não foram divulgados.

O acordo prevê o pagamento de R$ 500 mil em verbas rescisórias e indenizações. Desse valor, R$ 60 mil foram pagos imediatamente, enquanto o restante será quitado em 60 parcelas mensais de R$ 5.239,65.

Também está previsto o recolhimento do FGTS referente ao período de outubro de 2015 até a data do resgate, em valor que ainda será calculado.

A trabalhadora receberá ainda uma pensão vitalícia equivalente a 75% do salário mínimo. Considerando uma expectativa de vida de dez anos, o benefício foi estimado em aproximadamente R$ 145 mil.

Com isso, a reparação total chega a cerca de R$ 645 mil, podendo ultrapassar esse valor conforme o tempo de vida da vítima.

Combate ao trabalho escravo doméstico

Após o resgate, a mulher foi retirada da residência e levada para um local seguro, onde permanece acolhida.

“Casos como esse evidenciam a importância das denúncias e da atuação integrada dos órgãos públicos no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo, especialmente no trabalho doméstico, onde a exploração costuma permanecer invisibilizada por longos períodos”, afirmou Tathiane Menezes.

(Com informações de O Liberal)

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