A faca apreendida no quarto onde morreu Thainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, tornou-se uma das principais peças analisadas pela Polícia Civil do Pará, em Santarém, para rejeitar a versão apresentada pela defesa e indiciar o advogado Wlandre Gomes Leal por feminicídio — crime caracterizado pelo assassinato de uma mulher em contexto de violência doméstica ou por discriminação de gênero.
Conforme noticiado pelo JC, o suposto crime ocorreu na noite de domingo (19), no apartamento do casal, localizado no bairro Aparecida, em Santarém. Desde o início das investigações, Wlandre Leal afirmou aos policiais e socorristas que, após uma discussão seguida de luta corporal, teria desarmado a companheira. Segundo ele, Thainá teria pegado a faca novamente e cometido suicídio com um golpe no peito.
No entanto, a análise pericial da arma do crime — uma faca de cozinha com cabo preto encontrada com marcas de sangue — apresentou elementos que levaram os investigadores a uma conclusão diferente. Imagens anexadas ao processo mostram a medição da lâmina, realizada com uma trena amarela, indicando que ela possui aproximadamente 2,5 centímetros de largura.
O principal questionamento levantado pelo delegado José Kleidson de Castro, responsável pelo pedido de prisão do suspeito, foi a diferença entre o tamanho da lâmina e a extensão do ferimento encontrado na vítima.
O ferimento perfurocortante no tórax de Thainá media cerca de 10 centímetros e atravessou a roupa que ela vestia. Para a polícia, a incompatibilidade entre as medidas indica que o ferimento teria sido causado por um golpe aplicado com força, e não por um simples movimento de autoagressão.
Além da diferença de proporção, a perícia destacou que a vítima era destra (utilizava a mão direita) e que o golpe atingiu o lado direito do peito, em uma posição considerada incompatível com a hipótese de que ela mesma teria causado o ferimento.
Contexto do suspeito
As evidências relacionadas à faca se juntam a outros elementos já analisados pela investigação, como o apartamento em grande desordem, cenário apontado como compatível com uma possível luta corporal intensa, além da constatação de que parte do sangue encontrado no local já estava seco quando o socorro foi acionado.
Diante do conjunto de provas que apontam para um possível homicídio com violência, o juiz Sidney Pomar decretou a prisão temporária de 30 dias de Wlandre Gomes Leal, medida tomada para garantir o andamento das investigações e evitar possíveis interferências no processo.
A OAB-PA também determinou a suspensão cautelar do registro profissional do advogado, afastando preventivamente o suspeito das atividades da advocacia.
A Polícia Científica continua realizando novas análises na faca apreendida e nos celulares do casal, enquanto o caso segue sendo investigado.
Fonte: JC


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