Estudo do Instituto Trata Brasil aponta que, por dia, o país perde o equivalente a 16,2 milhões de caixas d’água
O Brasil desperdiça mais de um terço da água tratada (39,53%) antes mesmo que ela chegue às torneiras das famílias, volume suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas.
Os dados são do Estudo de Perdas de Água 2026: Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Segundo a pesquisa, o desperdício diário equivale ao conteúdo de 16,2 milhões de caixas d’água.
Caso o Brasil consiga reduzir as perdas para 25%, meta estipulada pelo governo federal, o volume economizado poderia abastecer 17,2 milhões de brasileiros em comunidades vulneráveis por dois anos, além de gerar ganhos brutos de R$ 47,2 bilhões até 2033.
Distribuição geográfica do desperdício
As regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores níveis de perdas, com estados como:
- Alagoas: 66,90%
- Roraima: 65,97%
- Pará: 57,33%
- Maranhão: 56,68%
- Acre: 56,48%
- Sergipe: 55,10%
Já as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul apresentam índices inferiores a 35%, com destaque para:
- Goiás: 27,61%
- Mato Grosso do Sul: 30,60%
- Distrito Federal: 31,55%
- São Paulo: 32,15%
- Paraná: 33,11%
Entre os 100 municípios mais populosos, apenas 12 cumprem as metas de excelência de perdas, e apenas quatro capitais — Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina — atingiram o teto recomendado de perdas.
Causas do desperdício
A presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, explica que 60% do desperdício no país ocorre por perdas físicas, ou seja, vazamentos visíveis ou ocultos nas tubulações. Esse volume equivale a aproximadamente 4.800 piscinas olímpicas de água tratada por dia.
Os outros 40% correspondem a perdas comerciais ou aparentes, causadas por furtos de água (“gatos”), erros de medição ou consumos fora do sistema de distribuição. Luana alerta para os impactos ambientais, econômicos e sociais dessas perdas, incluindo riscos à saúde pública.
Segundo ela, a redução do desperdício de água precisa ser encarada como medida de adaptação às mudanças climáticas, principalmente diante de secas, ondas de calor e alterações no regime de chuvas.
“Historicamente, investiu-se muito na expansão do acesso à água tratada e pouco na redução de perdas. É urgente mudar o patamar do debate e investir na eficiência operacional e energética”, destacou a especialista.
Fonte: 18 Hora

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