Vereadores mantêm veto de prefeito em projeto de inclusão em Trairão (PA) e votação levanta questionamentos políticos

Projeto voltado a pessoas com TEA, TDAH e doenças crônicas foi barrado após decisão que expôs alinhamento entre Legislativo e ExecutivoFoto: reprodução sócias 

Trairão (PA) – A Câmara Municipal de Trairão, no sudoeste do Pará, manteve o veto do prefeito Henrique Borges da Silva ao Projeto de Lei nº 003/2026, que criava uma ampla política de proteção e inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, fibromialgia, lúpus e outras condições crônicas e neurodivergentes.

O projeto, de autoria da vereadora Elis (Podemos) e do vereador Pedro do Cacau (Avante), previa a integração de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e assistência social, além de atendimento humanizado e ações de inclusão.

Apesar disso, o veto do Executivo foi mantido pela maioria dos vereadores em sessão no plenário.

O resultado da votação chamou atenção: apenas o vereador Zezinho (Avante) votou contra a manutenção do veto, defendendo a derrubada da decisão do prefeito.

Já os próprios autores da proposta, Elis e Pedro do Cacau, votaram pela manutenção do veto — fato que gerou forte repercussão nos bastidores políticos do município.

A postura dos parlamentares levantou questionamentos entre moradores e lideranças locais sobre alinhamento político dentro da Câmara e possível influência do Executivo na base legislativa.

Nos bastidores, a decisão também gerou comentários sobre interesses políticos e administrativos envolvendo o governo municipal, especialmente diante da relação próxima entre parlamentares e cargos ligados à gestão.

Até o momento, os vereadores citados não se manifestaram publicamente sobre os motivos do voto contrário à própria proposta.

Entenda o projeto barrado

O projeto previa a criação de uma política municipal de atendimento integrado para pessoas com condições específicas, com foco em:

  • Inclusão social e garantia de direitos;
  • Atendimento humanizado na rede pública;
  • Ampliação do acesso à saúde, educação e assistência social;
  • Ações de conscientização sobre condições como TEA e TDAH;
  • Organização de fluxos de atendimento prioritário;
  • Articulação entre setores da administração pública.

Com a manutenção do veto, o projeto é arquivado e não entra em vigor.

Repercussão política

A decisão gerou debate no município e dividiu opiniões sobre a independência do Legislativo em relação ao Executivo. A votação também expôs divisões internas e levantou discussões sobre coerência política dos parlamentares.

Portal do Carpé 

0 Comentários