Benedito Ruy Cabral deixou o cargo cerca de seis meses após a Operação Igapó, que apura suspeitas de fraudes em licitações e repasses milionários ligados a contratos públicos
A governadora Hana Ghassan exonerou o secretário de Obras Públicas do Pará, Benedito Ruy Santos Cabral. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e ocorre cerca de seis meses após o avanço das investigações da Operação Igapó, deflagrada pela Polícia Federal.
Segundo o governo estadual, a exoneração foi formalizada a pedido do próprio ex-secretário. A saída, no entanto, acontece em meio ao aprofundamento das apurações sobre um suposto esquema de irregularidades em contratos públicos.
Benedito Ruy Cabral é investigado por suspeita de envolvimento em fraudes em licitações, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e pagamento de propina em obras públicas no Pará, incluindo contratos relacionados a projetos vinculados à COP30, realizada em Belém.
Em decisões judiciais ligadas à operação, o Supremo Tribunal Federal apontou indícios considerados graves envolvendo possíveis violações de deveres funcionais atribuídos ao então secretário, devido ao cargo estratégico que ocupava na Secretaria de Obras Públicas.
Entre os elementos reunidos pela investigação está a movimentação de valores em espécie. De acordo com a Polícia Federal, um empresário teria sacado cerca de R$ 6 milhões e, poucas horas depois, mantido contato telefônico com o então secretário.
Ainda conforme os registros da PF, no mesmo dia do saque houve troca de mensagens entre investigados. Em uma delas, uma resposta curta atribuída a Cabral indicaria continuidade no contato. Depois disso, o empresário teria mencionado a entrega de valores a uma terceira pessoa.
A suspeita dos investigadores é de que o montante possa ter sido repassado no contexto de uma licitação de aproximadamente R$ 148 milhões, relacionada a obras da COP30, em período próximo à habilitação de um consórcio no processo.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, que apura o eventual envolvimento de outros agentes públicos e privados no suposto esquema.
Fonte: Roma News

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