Primeiro dia do Seminário de Economia Criativa da Amazônia destaca a força do ecossistema cultural amazônico

Debates reuniram representantes do poder público, empreendedores, pesquisadores, estudantes e agentes culturais para discutir a criatividade como ferramenta de desenvolvimento, sustentabilidade e geração de renda na AmazôniaDivulgação 

A construção de uma Amazônia que reconhece a criatividade como motor de desenvolvimento esteve no centro dos debates do primeiro dia do I Seminário de Economia Criativa da Amazônia, realizado nesta quinta-feira (11), em Santarém. Reunindo gestores públicos, empreendedores, pesquisadores, artistas e representantes de diferentes segmentos da economia criativa, o encontro promoveu reflexões sobre território, inovação, sustentabilidade e políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos setores criativos da região.

A programação iniciou com a palestra da secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, que participou de forma on-line abordando o tema "Criatividade e Emancipação das Comunidades-Rede". Durante sua fala, destacou a necessidade de consolidar uma política nacional de economia criativa capaz de dialogar com as diferentes realidades do país.

"Cultura é trabalho e, por isso, precisamos pensar numa política nacional de economia criativa contemplando todas as regiões. A palavra mais importante da economia criativa é ecossistema cultural e criativo, compreendendo os processos de produção, circulação e difusão que atribuem valor estratégico à dimensão cultural. Isso significa valorizar produtos que carregam a marca Amazônia, como a cultura alimentar, as biojoias e tantos outros saberes e fazeres dos territórios", afirmou Cláudia Leitão.

Na sequência, a mesa de abertura reuniu representantes do poder público, instituições de ensino e organizações da sociedade civil. Durante o momento, a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, ressaltou a importância de ampliar o entendimento sobre o papel econômico da cultura.

"O seminário está nos fazendo refletir sobre nossas formas de produção cultural. Hoje compreendemos a cultura também como trabalho e é preciso valorizar essa intelectualidade. As realidades mudam através do fomento. É importante descentralizar as discussões e reconhecer os potenciais criativos das comunidades. Além de tudo, precisamos reforçar para a sociedade que a cultura gera renda e permite que muitas pessoas sobrevivam a partir dela", destacou Priscila Castro.

Para o presidente do Instituto Território das Artes (ITA) e coordenador do seminário, Raphael Ribeiro, a economia criativa representa uma alternativa de desenvolvimento alinhada às características da Amazônia.

"A economia criativa, diferente de outros caminhos econômicos, tem como principal matéria-prima a criatividade. Não há limites para criar e desenvolver. Dentro dela estão a arte, o patrimônio, o turismo e diversos outros segmentos que podem crescer de forma sustentável e em respeito à natureza e aos rios", observou.

Potenciais da criatividade amazônica

O primeiro painel do evento, "Os Potenciais da Economia Criativa na Amazônia", discutiu experiências que demonstram como a criatividade tem impulsionado iniciativas econômicas e sociais em diferentes territórios amazônicos.

As discussões destacaram o protagonismo das comunidades tradicionais, a valorização dos saberes locais, o fortalecimento das identidades culturais e as oportunidades geradas a partir da conexão entre cultura, empreendedorismo e inovação. Também foram compartilhadas experiências de formação e qualificação profissional voltadas aos trabalhadores da cultura e da economia criativa.

Durante a tarde, o painel "Caminhos de Investimentos para a Economia Criativa na Amazônia" ampliou o debate sobre mecanismos de financiamento, empreendedorismo, inovação e fortalecimento das cadeias produtivas criativas. Representantes de instituições financeiras, entidades empresariais, organizações de bioeconomia, da academia e lideranças indígenas discutiram estratégias para ampliar o acesso a investimentos e fomentar iniciativas que conciliem desenvolvimento econômico, valorização cultural e sustentabilidade ambiental.

O diálogo também evidenciou a importância da articulação entre setor público, iniciativa privada, universidades e organizações da sociedade civil para a construção de oportunidades que respeitem as especificidades dos territórios amazônicos.

Banzeiro de Ideias

Encerrando a programação do dia, o Banzeiro de Ideias reuniu participantes em uma dinâmica colaborativa para debater as intersecções entre cultura, turismo, tecnologia e sustentabilidade. Inspirado no movimento das águas amazônicas, o exercício funcionou como espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva de propostas para o fortalecimento da economia criativa na região.

Entre os principais temas discutidos estiveram a integração entre os diversos segmentos criativos, a valorização dos ativos culturais amazônicos e a necessidade de políticas que reconheçam a criatividade como elemento estratégico para o desenvolvimento regional.

"Pensar a Amazônia é atravessar muitos aspectos da nossa cultura, das crenças, da forma de vestir e de viver. A economia criativa deve ser um dos motores da economia amazônica e essas iniciativas precisam ser fortalecidas. Já existe um DNA da cultura amazônida e precisamos reconhecer o protagonismo de quem tem a economia criativa como base de sustento", destacou a designer de moda e biotecnologista, Quimera Verzéqui.

O I Seminário de Economia Criativa da Amazônia segue nesta sexta-feira (12), com continuidade dos debates sobre políticas públicas, inovação, territórios criativos e desenvolvimento sustentável, reunindo participantes de diferentes regiões do país em torno da construção de uma Amazônia criativa, diversa e conectada aos seus territórios.

Fonte: Agência Santarém 

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