MP determina continuidade de investigação sobre licitação de R$ 11,7 milhões em Terra Santa

Procedimento apura possíveis irregularidades em pregão eletrônico da prefeitura; Conselho Superior do MP determinou novas diligênciasO Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) decidiu dar continuidade às investigações sobre possíveis irregularidades em um procedimento licitatório da Prefeitura de Terra Santa, no oeste do Pará, voltado à contratação de serviços de locação de veículos leves e pesados.

O caso envolve um contrato estimado em R$ 11,7 milhões e segue sob análise após o Conselho Superior do Ministério Público não homologar o pedido de arquivamento do procedimento inicial.

A investigação teve origem em uma representação apresentada pelos vereadores Valdir Nascimento Mateus, Joinel Mendes Pinto e Manoel Silva Ribeiro. Eles apontaram possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico nº 015/2025, incluindo suspeitas de direcionamento do certame, sobrepreço e utilização de veículos antes da conclusão da licitação.

Os parlamentares também questionaram o valor da contratação diante da realidade econômica do município e solicitaram a apuração dos fatos pelo Ministério Público.

Durante a análise inicial, a Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento (SEMPLA) informou que a contratação seria necessária devido à precariedade da frota própria do município. A pasta defendeu a legalidade do processo e argumentou que a locação de veículos seria mais vantajosa economicamente do que a compra dos automóveis.

A secretaria também afirmou que o procedimento teria seguido os parâmetros da nova Lei de Licitações. Já a Secretaria Municipal de Fazenda encaminhou ao Ministério Público cópias de contratos firmados com empresas vencedoras do certame.

Apesar das justificativas apresentadas pela administração municipal, o Ministério Público havia promovido inicialmente o arquivamento do caso, por entender que não havia indícios suficientes de dano ao erário ou de ato doloso de improbidade administrativa.

Na ocasião, também foi destacado que o pregão foi realizado por meio de sistema de registro de preços, sem comprovação imediata de contratação efetiva.

No entanto, ao analisar o caso, o Conselho Superior do Ministério Público entendeu que a matéria possui natureza de inquérito civil e não de simples procedimento administrativo. Com isso, o órgão decidiu não homologar o arquivamento e determinou a continuidade das investigações.

Segundo a decisão, ainda há pontos que precisam de verificação técnica, especialmente em relação à compatibilidade dos valores com o mercado, à metodologia usada na pesquisa de preços e à eventual restrição à competitividade no processo licitatório.

Também foi apontada a necessidade de uma análise mais detalhada sobre a possibilidade de direcionamento da contratação.

Entre as diligências determinadas, o Ministério Público deverá requisitar a íntegra do processo administrativo e encaminhar o caso ao Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI). O grupo ficará responsável por avaliar aspectos técnicos da licitação, como eventual sobrepreço, superfaturamento, regularidade formal do certame e possíveis indícios de direcionamento.

A decisão também menciona que a alegação de uso de veículos antes da conclusão da licitação não foi comprovada pelos denunciantes. Mesmo assim, o Conselho Superior ressaltou que a hipótese não pode ser descartada sem aprofundamento investigativo, principalmente em relação à execução contratual e à efetiva prestação dos serviços pelas empresas contratadas.

Com a decisão, o procedimento retorna à Promotoria de Justiça de Terra Santa, que deverá realizar novas diligências e dar continuidade à apuração.

O caso segue em investigação e poderá resultar em novas medidas conforme o avanço da análise técnica e documental.

Fonte: Portal OESTADONET — 24/06/2026
Com informações da matéria: “Ministério Público mantém investigação sobre licitação de R$ 11,7 milhões em Terra Santa”

Fonte: Estadonet

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