Instituto Cultural Boanerges Sena se consolida como referência na preservação da memória de Santarém e já soma mais de 26 mil visitantes

Localizado na Travessa 15 de Agosto, nº 1248, no bairro Santa Clara, o instituto funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, com acesso aberto para consulta e pesquisa.

Com quase 45 anos de atuação, o Instituto Cultural Boanerges Sena (ICBS) consolidou-se como uma das mais importantes referências de pesquisa e preservação da memória no Baixo Amazonas. Ao longo de sua trajetória, o espaço já recebeu 26.158 visitantes. Em 2025, foram registrados 333 atendimentos, e entre janeiro e maio de 2026, outros 69 visitantes, de acordo com dados de frequência.

O público é formado por estudantes, pesquisadores, historiadores, jornalistas e demais interessados na história e na cultura amazônica.

Fundado em 23 de setembro de 1981 e reconhecido como entidade de Utilidade Pública Municipal pela Lei nº 15.395/95, o instituto reúne um dos mais relevantes acervos documentais da região. São mais de seis mil livros, além de revistas, periódicos, mapas, fotografias, documentos históricos, uma extensa hemeroteca de jornais e obras de artistas regionais.

O espaço já recebeu pesquisadores renomados de diferentes partes do Brasil e do exterior, entre eles o historiador norte-americano Greg Grandin, autor de Fordlândia: A Ascensão e Queda da Cidade da Selva Esquecida de Henry Ford, e o escritor e jornalista Joe Jackson, autor de O Ladrão no Fim do Mundo, que realizaram pesquisas sobre a região com base em documentos disponíveis no instituto.

Como parte das ações de valorização da cultura e do patrimônio histórico de Santarém, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), realizou uma visita técnica ao espaço na manhã do dia 3 de junho.

Durante a agenda, o secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, destacou a contribuição do espaço para a preservação da história da cidade.

“O ICBS é uma referência para Santarém. Seu acervo reúne informações sobre cultura, economia, turismo e história, tornando-se uma importante fonte de conhecimento para pesquisadores e para a população. É um patrimônio que ajuda a contar a trajetória da nossa região. Todas as pessoas que vêm de outras cidades ou daqui mesmo de Santarém e que querem conhecer a nossa história vêm aqui beber da fonte do ICBS”, afirmou o secretário.

O Instituto é coordenado pelo santareno Cristóvam Sena, presta homenagem a seu pai, Boanerges Sena, tendo sido fundado na data de nascimento do patriarca. O projeto teve início como uma pequena biblioteca instalada em sua residência e, ao longo das décadas, expandiu-se até se consolidar no espaço que é hoje.

Para Cristóvam Sena, a principal missão do instituto sempre foi democratizar o acesso ao conhecimento.

“O que adianta guardar informação apenas para si? Desde o início, a ideia foi compartilhar esse patrimônio com as pessoas. Ver estudantes, pesquisadores e visitantes encontrando aqui o que procuram é a maior recompensa desse trabalho”, destaca.

Essa relação também se reflete em sua vivência com o espaço.

“A importância do Instituto para a minha vida é, como posso dizer, um oxigênio que me sustenta hoje em dia. Estou com 78 anos e essa convivência com os estudantes me faz enxergar a vida de outra forma, pelos olhos dos outros. As conversas, as trocas e a possibilidade de ajudar quem busca conhecimento são muito gratificantes”, conta emocionado.

O amor pela leitura, pela escrita e pelas histórias, despertado ainda na infância sob a influência do pai, foi o ponto de partida para que Cristóvam transformasse esse vínculo afetivo em um projeto concreto: o “Memória Santarena”. Criado na década de 1980, o projeto nasceu do desejo de registrar a história a partir das próprias vozes de quem a viveu.

Para isso, Cristóvam passou a entrevistar personalidades de Santarém, reunindo depoimentos que muitas vezes ampliam ou dialogam com versões registradas pela imprensa da época. A iniciativa preserva a memória oral e constrói uma narrativa mais humana e plural da cidade. Ao longo dos anos, muitas dessas entrevistas foram transformadas em livros, expostos e comercializados no próprio instituto.

O caráter público e acessível do local é reforçado diariamente por sua rotina de atendimento. Colaborador do instituto desde 2012, Rosan Mota explica que qualquer pessoa pode consultar o acervo.

“É uma biblioteca aberta ao público. Não é necessário agendamento. Basta comparecer durante o horário de funcionamento. O material não pode ser retirado, mas está disponível para consulta no local. Aqui recebemos muitos estudantes da Ufopa, da Ulbra e da Unama”, explicou.

Localizado na Travessa 15 de Agosto, nº 1248, no bairro Santa Clara, o instituto funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, com acesso aberto para consulta e pesquisa. Mais informações podem ser obtidas no site www.icbsena.com.br.

Com mais de quatro décadas de atuação, o Instituto Cultural Boanerges Sena segue cumprindo a missão que inspirou sua criação: preservar, organizar e compartilhar a memória da região.

Fonte: Prefeitura de Santarém.

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