Dia Mundial do Meio Ambiente reforça importância da água tratada para saúde da população

Especialistas alertam para os riscos do consumo de água bruta e reforçam a importância de sistemas seguros de abastecimento.Divulgação 

Preservar o meio ambiente também passa pela forma como a água é captada, tratada e distribuída para a população. No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, especialistas reforçam a importância de ampliar o acesso à água tratada e conscientizar a população sobre os riscos do consumo da chamada água bruta – aquela captada diretamente de rios, poços ou da chuva, sem passar pelos processos adequados de tratamento.

Embora muitas vezes apresente aparência limpa, a água bruta pode conter vírus, bactérias, protozoários e resíduos químicos invisíveis a olho nu. Além de representar riscos à saúde da população, a ausência de tratamento favorece a contaminação dos recursos hídricos e o desequilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

“Água transparente não significa, necessariamente, água potável. Muitas vezes, análises laboratoriais identificam a presença de microrganismos nocivos em águas de poços, rios ou da chuva. Esses contaminantes podem causar doenças mesmo quando a água aparenta estar limpa”, explica o engenheiro sanitarista Valdinei Alves da Silva, professor do Instituto Federal do Pará (IFPA).

Para garantir segurança no consumo, a água distribuída pela Águas do Pará passa por diversas etapas rigorosas de tratamento nas Estações de Tratamento de Água (ETAs), incluindo filtração, desinfecção e análises laboratoriais constantes, seguindo os padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Uma das etapas mais importantes é a cloração, processo responsável pela eliminação de microrganismos que oferecem riscos à saúde. A legislação brasileira, por meio da Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde, determina que a água distribuída mantenha níveis mínimos de cloro residual justamente para garantir proteção ao longo de toda a rede de abastecimento.

De acordo com o gerente executivo da Águas do Pará, Felipe Silveira, o cloro funciona como uma barreira de segurança até que a água chegue às torneiras dos moradores.

“A cloração é uma etapa fundamental do tratamento da água e segue critérios rigorosos definidos pela legislação. O objetivo é garantir que a água chegue segura à casa dos moradores, protegida contra microrganismos que podem causar doenças”, afirma.

Em municípios onde o tratamento da água está sendo implantado ou ampliado pela primeira vez, algumas pessoas podem perceber alterações no cheiro ou no sabor da água devido à presença do cloro. Especialistas reforçam que isso não representa risco à saúde, mas indica que a água está protegida contra contaminações.

O especialista Valdinei Alves da Silva esclarece que os sistemas públicos de abastecimento oferecem mais segurança justamente porque seguem rígidos protocolos de controle e monitoramento da qualidade da água.

“Quando a água passa por uma estação de tratamento, ela recebe processos químicos e físicos capazes de eliminar contaminantes e garantir segurança para consumo humano. Além disso, há análises frequentes e fiscalização dos órgãos competentes. Já em poços particulares, a responsabilidade pelo tratamento é do próprio morador, que nem sempre possui estrutura técnica para garantir a qualidade da água consumida”, observa.

A universalização do saneamento é considerada uma das principais estratégias para reduzir doenças de veiculação hídrica no Pará. Dados do Ministério da Saúde apontam que o estado registrou mais de 300 mil casos de diarreia em 2025, cenário que tende a diminuir com a ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário.

Investimentos

A Águas do Pará vai investir no estado mais de R$ 18,7 bilhões ao longo de 40 anos de contrato, o maior investimento da história do saneamento na Amazônia Legal. A concessionária será responsável pelos serviços de água e esgotamento sanitário em 126 municípios, atendendo 5,5 milhões de pessoas. A meta é alcançar, de forma progressiva, até 2033, 99% de cobertura de abastecimento de água nas regiões Metropolitana de Belém, Marajó, nordeste, sudeste, sudoeste e Baixo Amazonas.

Fonte: Zé Dudu 

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