Wolney Queiroz avalia redução das taxas de empréstimos consignados e busca zerar a fila de pedidos no instituto.
Um ano após assumir o Ministério da Previdência Social em meio à crise das fraudes nos descontos associativos de benefícios do INSS, o ministro Wolney Queiroz avalia que é hora de atacar novas frentes, como o teto do juro do consignado e a fila de pedidos no instituto.
“Eu acredito que o balanço que nós fazemos hoje é de que precisamos virar essa página. Precisamos salvaguardar a instituição, a Previdência Social e o INSS”, diz.
A mudança de foco passa por aproveitar o cenário de queda da taxa Selic para reduzir os juros dos empréstimos consignados do INSS.
“A gente acha que tem de começar agora a negociar a queda”, diz Wolney, que negocia com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) a criação de um gatilho automático para repassar oscilações de juros à taxa do consignado. “Porque aí ele vai ter previsibilidade: quando subir, vai subir; quando cair, vai cair”, diz.
O ministro também mantém o objetivo de “zerar” a fila do INSS até o final do ano. Na prática, isso significaria manter os novos pedidos dentro do prazo legal de 45 dias de análise.
Principais trechos da entrevista
Balanço de um ano no ministério
“Foi um período de dias muito difíceis… 9 milhões de aposentados foram descontados. Hoje já podemos dizer que 4,5 milhões de aposentados foram ressarcidos, gerando devolução de mais de R$ 3 bilhões. Isso foi feito sem parar a máquina, com a Força-Tarefa Previdenciária atuando em conjunto com a Polícia Federal. Reforçamos a ouvidoria, o controle interno, a corregedoria e todos os processos foram revisados ao longo do período.”
CPI do INSS
“O debate muitas vezes se transforma em governo vs oposição, mas a investigação real é conduzida pela Polícia Federal e pela CGU. Pouca coisa é gerada espontaneamente nos depoimentos, então a CPI trouxe poucos fatos novos além do que já estava sendo apurado.”
Escalada das fraudes
“O desconto associativo começou nos anos 1990 e cresceu de forma exponencial em 2017/2018, com vulnerabilidades que foram exploradas até 2022. A operação Sem Desconto mostrou que o problema cessou no governo Lula.”
Fila do INSS
“A fila precisa ser entendida em partes: o fluxo normal dentro de 45 dias não é fila. Nosso desafio é reduzir o tempo médio de concessão, que caiu de 108 dias em janeiro de 2021 para 50 dias em dezembro de 2025. Em três anos, aumentamos 2,4 milhões concessões com menos servidores.”
Medidas de eficiência
“A fila única e a teleperícia ajudaram muito. O Atestmed permite perícias documentais em até 90 dias, evitando atrasos desnecessários.”
Teto do consignado
“Com a Selic em queda, queremos negociar a redução do juro. A ideia é criar gatilho automático negociado com a Febraban, garantindo previsibilidade e evitando decisões centralizadas apenas no CNM.”
Gastos com Previdência e Assistência Social
“O objetivo é proteger a Previdência Social e trazer mais cidadãos para o sistema contributivo. A Assistência Social é alternativa quando não há contribuição, mas custa mais para o governo.”
Percepção pública e eleições
“Apesar da percepção negativa, o governo tem atuado de forma mais eficiente do que a sociedade percebe. A eleição de 2022 foi difícil, mas a gestão atual busca equilibrar responsabilidade fiscal com proteção social.”
Indicação do STF e rejeição de Messias
“O Congresso tinha a prerrogativa de aprovar ou não. O governo escalou bom nome e respeita o processo; o timing da nova indicação ficará a critério do presidente.”
Fonte: Jornal de Brasília

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