Ministério da Cultura recebe documento construído por fazedores de cultura do Baixo Amazonas durante a Teia Nacional

Documento reúne 17 reivindicações construídas coletivamente por municípios do Baixo Amazonas e fortalece iniciativas culturais da região nos debates nacionais.O Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), realizou junto à delegação do Baixo Amazonas, a entrega de uma carta-manifesto à ministra da Cultura, Margareth Menezes, com 17 reivindicações voltadas ao fortalecimento das políticas culturais na região amazônica. A entrega ocorreu durante a Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Na ocasião, também foi apresentada a Cartilha Prática dos Pontos de Cultura, elaborada pelo Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC).

O documento reúne demandas e propostas construídas por fazedores e fazedoras de cultura, representantes de pontos e pontões e agentes culturais de diferentes municípios do Baixo Amazonas. A carta foi elaborada de forma coletiva durante o Tarrafa Cultural: Encontro de Pontos e Pontões de Cultura do Baixo Amazonas, a partir de processos de escuta e diálogo que consideraram a diversidade dos territórios amazônicos e a necessidade de políticas públicas mais conectadas às especificidades da região.

Segundo Raphael Ribeiro, representante do Ponto de Cultura Território das Artes e um dos organizadores do Tarrafa Cultural, a iniciativa representa um marco importante para o fortalecimento das políticas culturais na Amazônia.

“A carta é resultado de dois dias de debate entre pontos e pontões de cultura de toda a nossa região. A entrega ao Ministério da Cultura representa um passo importante para aproximar o poder público das demandas dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura do interior da Amazônia, que possuem realidades muito específicas e que precisam ser consideradas na construção das políticas públicas culturais do país”, destacou.Para o presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, Fábio Barbosa, o momento reforça a presença da Amazônia nos espaços nacionais de formulação de políticas públicas.

“Esse encontro representa muito mais que uma entrega simbólica. É a força da Amazônia ocupando espaços, ecoando vozes, compartilhando realidades e reafirmando que os territórios culturais do interior também precisam estar no centro das decisões nacionais. Seguimos fortalecendo pontes, construindo diálogos e levando as pautas da nossa região para onde elas precisam chegar: aos espaços de formulação de políticas públicas, de escuta e de transformação”, afirmou.

Participaram da Teia Nacional representantes do Instituto Território das Artes, Instituto Sociocultural Obasyle – Ilê Asé Dará Oyá Onira, Instituto Regatão da Amazônia, Ponto de Cultura Puxirum Criativo e Conselho Municipal de Política Cultural, representando os municípios do Baixo Amazonas.

A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, destacou a importância histórica da participação da delegação regional no encontro nacional.

“Ter a presença da delegação do Baixo Amazonas na Teia Nacional é um momento histórico para nós. É a primeira vez que estivemos tão representados, e a entrega da carta à ministra representa esta nova fase da política cultural do nosso município, agora também integrada aos municípios vizinhos de Santarém. Entendemos que política pública se faz de maneira coletiva e democrática”, ressaltou.

Para a coordenadora do Pontão de Cultura Instituto Regatão Amazônia, Marlena Soares, a carta-manifesto também evidencia o papel estratégico das iniciativas culturais amazônicas na preservação dos territórios e no enfrentamento da crise climática.

“Nossas iniciativas culturais no Baixo Amazonas atuam diretamente na preservação dos saberes tradicionais e como guardiãs do clima. Por isso, demandamos que o governo federal assegure recursos dos fundos de adaptação e mitigação climática para a cultura. Entendemos que a cultura é um eixo estratégico para o desenvolvimento social, ambiental e cultural, e que o enfrentamento da crise climática passa pela Amazônia”, concluiu.

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