Pré-candidato ao Planalto volta a negar que Eduardo Bolsonaro tenha se beneficiado dos recursos que Vorcaro deu ao filme
PF suspeita que dinheiro de Vorcaro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA (Foto: Divulgação)
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta sexta-feira (15) que novas conversas ou relatos de encontros que teve com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, podem se tornar públicos, mas afirmou que o contato que manteve com o ex-banqueiro se restringiu ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, disse em entrevista à CNN Brasil.
Segundo Flávio, ao todo, Vorcaro – atualmente preso e investigado por fraudes bilionárias – investiu US$ 12 milhões (cerca de R$ 60 milhões, na cotação atual) no longa-metragem intitulado Dark Horse (“azarão”, em inglês).
“O orçamento previsto era de US$ 24 milhões, mas não houve captação disso tudo. O que foi investido por ele [Vorcaro] nesse fundo privado, 100% comprovado, foi uma quantia um pouquinho superior a US$ 12 milhões e alguma coisa de dólares”, afirmou.
A informação sobre o investimento de Vorcaro no filme de Bolsonaro e a tentativa de Flávio de conseguir mais dinheiro do ex-banqueiro foi revelada pelo The Intercept Brasil e confirmada pela Folha na quarta-feira (13).
A Polícia Federal suspeita que o montante possa ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, pois os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas.
Flávio negou mais uma vez que o irmão tenha se beneficiado do dinheiro e afirmou que pediu ao fundo americano para disponibilizar o contrato do filme ou que a Go Up Entertainment, produtora do filme, faça uma prestação de contas sobre o uso dos recursos. A empresa nega o recebimento de dinheiro de Vorcaro.
“Tem como comprovar. O que eu pedi hoje foi para o fundo privado disponibilizar o contrato ou que houvesse a prestação de contas pela produtora no Brasil. Acho que isso é suficiente para as pessoas verem, com os próprios olhos, que todos os recursos destinados a esse fundo privado dos EUA foram 100% investidos no filme.”
Questionado sobre nova reportagem do Intercept que afirma que Eduardo atuou como produtor-executivo de Dark Horse e teria poder sobre os recursos, Flávio disse que se trata de um contrato antigo.
“Esse é um contrato antigo, formalizado com a produtora muito antes de haver toda essa estrutura lá nos Estados Unidos. Foi ali a plataforma legal para o Eduardo colocar dinheiro e segurar o roteirista, o Cyrus [Nowrasteh]”, declarou.
Segundo o senador, ele e Vorcaro se encontraram pessoalmente poucas vezes, todas para tratar da produção. Ele voltou a dizer que o dono do Master ainda não era investigado e afirmou que, na época, Vorcaro era um “astro”. “Circulava bem entre autoridades em Brasília e era cortejado por bancos.”
Flávio também disse ter procurado o então banqueiro porque ele não estava honrando com o contrato.
“A última parcela de investimento que ele fez foi em maio de 2025. Portanto, não havia toda essa confusão que nós sabemos sobre a sua atuação. Isso não existia na época, assim como não existia em dezembro de 2024, quando ele aceitou fazer esse investimento privado nesse filme privado. A conversa era monotemática, para que ele visse o investimento que estava fazendo”, afirmou.
“Não tem possibilidade de aparecer nenhuma relação minha com o Daniel Vorcaro que não seja exclusivamente sobre o filme”, completou.
Fonte da matéria: Mais Goiás

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