Empregada grávida agredida no Maranhão perde 50% da audição

Suspeita foi presa no Piauí quando tentava fugir, segundo a polícia; nova defesa diz que vai levantar eventuais problemas psicológicosSamara Regina, 19, grávida de cinco meses, afirmou que perdeu parte da audição em razão da tortura sofrida pela patroa - Samara Regina no Instagram

(Folhapress) Samara Regina Dutra, 19, empregada doméstica grávida que foi agredida e torturada pela empresária para quem trabalhava no Maranhão, afirmou que perdeu 50% da audição em razão da violência que sofreu.

Samara contou que estava sentindo muita dor e desconforto nos ouvidos e procurou um médico.

“Como consequência das coisas que aconteceram [agressões], eu tava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Mas comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulho muito alto. Não é conclusivo ainda, mas, com base no exame que eu fiz, aparentemente eu perdi 50% da minha audição dos dois lados”, afirmou em publicação nas redes sociais.

Ela relatou que ficou assustada com o diagnóstico:

“Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora tô tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Artur [bebê] sente. Então, tenho que manter a calma, mas eu vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar pra que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho”, disse.

Entenda o caso

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa no dia 7 de maio sob suspeita de agredir e torturar a jovem em Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís. Carolina estava em Teresina tentando fugir, de acordo com a polícia.

As agressões teriam ocorrido no dia 17 de abril. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de roubar um anel e enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências cometidas, segundo revelou a TV Mirante, afiliada da TV Globo. Um homem armado teria ajudado nas agressões.

Samara relatou que foi alvo de puxões de cabelo, tapas, murros e chutes, incluindo na barriga. Ela registrou boletim de ocorrência e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), que comprovaram as agressões.

Documento do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Maranhão confirma que os áudios divulgados com confissões de agressões e tortura são de Carolina.

O delegado Walter Wanderley, responsável pelo caso, afirmou:

“Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão”.

Inicialmente, a defesa de Carolina admitiu as agressões, mas não a tortura. O novo advogado, Otoniel d’Oliveira Chagas Bisneto Prado, orientou a cliente a permanecer em silêncio e disse que vai investigar eventuais problemas psicológicos da acusada, como bipolaridade e transtorno borderline.

Fonte da matéria: Mais Goiás

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