Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A doença hepática relacionada ao consumo de álcool tem avançado no Brasil, com aumento contínuo de internações e mortes nas últimas duas décadas, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Um estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), baseado em dados do SUS entre 2000 e 2022, identificou:
- 344 mil internações por doença hepática alcoólica (DHA)
- 214 mil mortes
- Condições incluídas: esteatose, hepatite alcoólica e cirrose
Crescimento regional
- Norte: maior aumento anual de internações (2,57%) e mortalidade (4,95%)
- Nordeste: segundo maior avanço em óbitos
- Sul: crescimento mais discreto, mas taxas acima da média nacional: 10,5 internações e 5,6 óbitos por 100 mil habitantes
Perfil dos pacientes
- Sexo masculino: 82% das internações, 88% dos óbitos
- Faixa etária: 40 a 59 anos, indicando efeito acumulado do consumo crônico
- Raça/etnia: variação regional; Norte, Nordeste e Centro-Oeste predominância de pretos e pardos; Sul e Sudeste, maior proporção de brancos
- Escolaridade: 58,1% tinham sete anos ou menos
Aspectos clínicos e sociais
- 90% dos usuários crônicos de álcool desenvolvem algum grau de gordura no fígado; 10–20% podem evoluir para hepatite alcoólica ou cirrose
- Em casos graves, a taxa de mortalidade chega a 50%
- O diagnóstico precoce é essencial, mas muitas vezes ocorre apenas em estágios avançados
Especialistas comentam
- Geisa Gomide (UFTM): aumento anual acima da média mundial; diferenças regionais refletem padrões culturais e desigualdade no acesso à saúde
- Roberto José de Carvalho Filho (Unifesp): problema antigo e subestimado; consumo episódico excessivo é frequente; dependência química ainda sofre estigma
Tratamento e prevenção
- Abordagens incluem psicoterapia, medicamentos, redução de danos e abstinência
- Acompanhamento precoce aumenta chances de sobrevivência
- Pacientes crônicos, como Luiz Cláudio da Silva Cardoso, 57 anos, demonstram que redução de consumo pode prolongar a vida, mesmo com cirrose avançada
Implicações
- Estudo reforça necessidade de políticas públicas focadas em:
- Prevenção do uso abusivo de álcool
- Diagnóstico precoce
- Organização da assistência para grupos vulneráveis
Fonte original: Jornal de Brasília


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