Doença do fígado causada por álcool avança no Brasil, com mortes crescendo mais no Norte

De acordo com o estudo, em 2021, as doenças do fígado foram a principal causa de óbitos relacionados ao álcool no Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A doença hepática relacionada ao consumo de álcool tem avançado no Brasil, com aumento contínuo de internações e mortes nas últimas duas décadas, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Um estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), baseado em dados do SUS entre 2000 e 2022, identificou:

  • 344 mil internações por doença hepática alcoólica (DHA)
  • 214 mil mortes
  • Condições incluídas: esteatose, hepatite alcoólica e cirrose

Crescimento regional

  • Norte: maior aumento anual de internações (2,57%) e mortalidade (4,95%)
  • Nordeste: segundo maior avanço em óbitos
  • Sul: crescimento mais discreto, mas taxas acima da média nacional: 10,5 internações e 5,6 óbitos por 100 mil habitantes

Perfil dos pacientes

  • Sexo masculino: 82% das internações, 88% dos óbitos
  • Faixa etária: 40 a 59 anos, indicando efeito acumulado do consumo crônico
  • Raça/etnia: variação regional; Norte, Nordeste e Centro-Oeste predominância de pretos e pardos; Sul e Sudeste, maior proporção de brancos
  • Escolaridade: 58,1% tinham sete anos ou menos

Aspectos clínicos e sociais

  • 90% dos usuários crônicos de álcool desenvolvem algum grau de gordura no fígado; 10–20% podem evoluir para hepatite alcoólica ou cirrose
  • Em casos graves, a taxa de mortalidade chega a 50%
  • O diagnóstico precoce é essencial, mas muitas vezes ocorre apenas em estágios avançados

Especialistas comentam

  • Geisa Gomide (UFTM): aumento anual acima da média mundial; diferenças regionais refletem padrões culturais e desigualdade no acesso à saúde
  • Roberto José de Carvalho Filho (Unifesp): problema antigo e subestimado; consumo episódico excessivo é frequente; dependência química ainda sofre estigma

Tratamento e prevenção

  • Abordagens incluem psicoterapia, medicamentos, redução de danos e abstinência
  • Acompanhamento precoce aumenta chances de sobrevivência
  • Pacientes crônicos, como Luiz Cláudio da Silva Cardoso, 57 anos, demonstram que redução de consumo pode prolongar a vida, mesmo com cirrose avançada

Implicações

  • Estudo reforça necessidade de políticas públicas focadas em:
    • Prevenção do uso abusivo de álcool
    • Diagnóstico precoce
    • Organização da assistência para grupos vulneráveis

Fonte original: Jornal de Brasília

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