Desenrola amplia renegociação, mas não é garantia de tirar brasileiro das dívidas, dizem especialistas


Foto: Reprodução

O novo Desenrola chega com a proposta de aliviar a pressão sobre o orçamento de famílias endividadas, mas especialistas apontam que, se tratado como estratégia isolada, não garante a saída definitiva das dívidas. Com descontos de até 90% sobre dívidas bancárias, o programa é voltado para inadimplentes com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

Economistas e planejadores financeiros afirmam que o retorno ao endividamento está ligado não apenas aos juros altos, mas também à dependência crescente do crédito para despesas diárias e à falta de reorganização financeira.

“Renegociar uma dívida sem mudar a dinâmica financeira que levou ao endividamento é como esvaziar um barco com um balde sem tampar o furo. O alívio imediato até existe, mas a água continua entrando”, afirma a especialista em finanças pessoais Carol Stange.

O principal erro é tratar a inadimplência como episódio isolado. O risco é maior entre autônomos, pessoas com renda variável e famílias afetadas por desemprego, doença ou separação.

Educação financeira
A nova medida provisória do Desenrola determina que instituições financeiras destinem ao menos 1% dos valores garantidos pelo FGO (Fundo Garantidor de Operações) para ações de educação financeira, pactuadas com o Ministério da Fazenda, a serem executadas em até um ano. A ABBC (Associação Brasileira de Bancos) elogiou a iniciativa, destacando que ações de educação financeira podem orientar consumidores a escolher crédito adequado à renda.

Antes de renegociar, reorganize o orçamento
Especialistas recomendam:

  • Revisar hábitos de consumo e cortar excessos.
  • Consolidar dívidas em linhas mais baratas.
  • Limitar o uso do cartão ao valor que pode ser pago integralmente.
  • Automatizar pequenos aportes mensais para criar reserva de emergência.

Prioridade deve ser despesas essenciais (moradia, alimentação, energia, água), seguidas por dívidas com garantia real (financiamentos) e depois dívidas com juros altos (rotativo e cheque especial).

“Tem gente que pensa: vou esperar mais um pouco para sair de 70% para 85% de desconto. Mas a economia de juros perdida nesse período costuma ser maior do que o ganho adicional no abatimento”, explica Adrian Carvalho, planejador financeiro.

O mito da dívida que caduca
Fernando Gambaro, especialista da Serasa, explica que dívidas “caducam” apenas em termos de negativação no CPF; a obrigação de pagar continua existindo.

“Ignorar uma dívida não a apaga. Apenas transfere o problema para um momento em que você pode ter menos poder de negociação”, acrescenta Carol Stange.

Fonte: Jornal de Brasília

0 Comentários