Nova fase da operação Compliance Zero investiga investimentos do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. Ex-governador do Rio já havia sido alvo de outra ação da PF neste mês.
A Polícia Federal voltou a cumprir mandados contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) nesta terça-feira (26), menos de 15 dias após a primeira operação realizada na residência dele. Desta vez, a investigação apura aportes de cerca de R$ 3 bilhões feitos pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, em mais uma etapa da operação Compliance Zero.
Agentes da PF chegaram ao apartamento onde Castro mora, na Península, condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Polícia Federal, os recursos do Rioprevidência teriam sido destinados a fundos relacionados ao conglomerado financeiro comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Os investigadores apuram como ocorreram as aplicações financeiras e se houve irregularidades na destinação dos recursos públicos.
A defesa de Cláudio Castro afirmou que o ex-governador acompanhou as buscas “com serenidade”. Assim como ocorreu na operação anterior, ele estava em casa no momento da chegada dos agentes federais. Também estavam no imóvel a ex-primeira-dama Analine Castro e a mãe dela.
PF volta a cumprir mandados contra Cláudio Castro
A nova operação aumenta a pressão política e jurídica sobre o ex-governador fluminense poucos meses após sua saída do Palácio Guanabara. O foco da investigação é o Rioprevidência, fundo responsável pela gestão previdenciária dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
A PF busca esclarecer os critérios usados nos investimentos feitos em fundos ligados ao Banco Master e identificar possíveis responsabilidades de agentes públicos e privados. O caso ganhou repercussão nacional pelo volume bilionário das operações financeiras e pelo impacto político envolvendo um ex-chefe do Executivo estadual.
O que a PF investiga na operação Compliance Zero
A operação Compliance Zero chegou à oitava fase investigando movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores. Embora os detalhes do inquérito estejam sob sigilo, a Polícia Federal apura possíveis irregularidades envolvendo aplicações do Rioprevidência e operações financeiras relacionadas ao Banco Master.
Os investigadores tentam identificar como os aportes foram realizados, quais mecanismos financeiros foram utilizados e se houve eventual favorecimento indevido nas operações. O avanço do caso também amplia o debate sobre a gestão de fundos previdenciários estaduais e os riscos envolvendo aplicações de alto valor feitas com recursos públicos.
Rioprevidência e Banco Master entram no foco da investigação
Criado para administrar recursos previdenciários dos servidores estaduais, o Rioprevidência movimenta cifras bilionárias e possui papel estratégico nas finanças do estado do Rio de Janeiro. Agora, parte dessas operações financeiras passou a ser analisada pela Polícia Federal após a identificação de investimentos ligados ao Banco Master.
O conglomerado financeiro citado na investigação é comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que aparece entre os nomes ligados às apurações conduzidas pela PF. Até o momento, a investigação busca esclarecer a regularidade dos investimentos e não há divulgação oficial sobre eventual denúncia ou acusação formal relacionada ao caso.
Ex-governador já havia sido alvo da PF neste mês
Esta é a segunda vez em menos de duas semanas que agentes da Polícia Federal cumprem mandados ligados ao ex-governador. No último dia 15, Cláudio Castro já havia sido alvo de outra operação da PF, desta vez relacionada à chamada operação Sem Refino.
Na ocasião, os investigadores apuravam suspeitas de fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a PF, a empresa teria utilizado estruturas societárias e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e envio irregular de recursos ao exterior. A corporação também apontou suspeitas de favorecimento ao grupo empresarial durante a gestão estadual de Castro.
Inelegibilidade e saída do governo ampliam pressão sobre Castro
As operações da Polícia Federal ocorreram após a saída de Cláudio Castro do governo do Rio de Janeiro. Ele deixou o cargo em março, antes da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terminou com a inelegibilidade do político por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A decisão teve impacto direto no cenário político fluminense e ampliou o desgaste do grupo político liderado por Castro. Agora, além das consequências eleitorais, o ex-governador enfrenta o avanço de investigações federais que aumentam a pressão jurídica sobre sua gestão.
Fonte: GCMais

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