Relatório preliminar coordenado pela Fapespa revela o peso de cadeias como açaí, mandioca e cacau, e indica que um aumento do retorno financeiro para o Estado pode ser destravado com avanços contra a informalidade e gargalos na industrialização
O Pará movimenta R$ 13,5 bilhões por ano em Valor Bruto da Produção (VBP) com a bioeconomia da sociobiodiversidade, segundo Relatório Técnico Preliminar da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). O estudo, baseado em metodologias da ONU e do IBGE, destaca cadeias produtivas como mandioca (R$ 6,5 bilhões), pesca e aquicultura (R$ 2,7 bilhões), cacau (R$ 1,7 bilhão) e açaí (R$ 1,5 bilhão).
O setor emprega 271.410 pessoas e gera R$ 1,4 bilhão em massa salarial. Cada real investido na atividade gera R$ 1,13 no PIB estadual, com efeito multiplicador de R$ 1,14 na matéria-prima, R$ 1,27 na indústria e R$ 1,40 na comercialização.
O estudo também aponta desafios: elevada informalidade, desigualdade na distribuição de renda entre extrativistas e indústria, além de impactos da emergência climática sobre produção de castanha, mandioca e açaí.
Destaca-se ainda o caso do cumaru: dados oficiais indicavam 148 toneladas (R$ 13,3 milhões), enquanto levantamento da Rede de Bioeconomia apontou 267 toneladas (R$ 24,4 milhões). A industrialização fora do Pará concentra a maior parte do valor, reduzindo a participação do extrativista.
O fortalecimento de cooperativas, políticas públicas estruturadas e integração científica e tecnológica são apontados como caminhos para agregar valor localmente, gerar renda e transformar a bioeconomia em vetor de desenvolvimento sustentável para a Amazônia.
A próxima etapa da pesquisa inclui o Relatório Preliminar de 2026, com análise do consumo intermediário, detalhamento da demanda, integração dos fluxos de cacau e mandioca e criação de um Índice de Resiliência Socioambiental municipal.
Fonte: Agência Pará

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