Advogadas negam ter fraudado processo com IA após multa de R$ 84 mil no Pará

O comando oculto na petição pedia à Inteligência Artificial que contestasse o documento de forma superficial, sem impugnar os demais anexosAdvogadas Luanna Sousa Alves e Cristina Medeiros Castro, de Parauapebas Crédito: Reprodução/Instagram

As advogadas Luanna Sousa Alves e Cristina Medeiros Castro, de Parauapebas, no sudeste do Pará, foram multadas em mais de R$ 84 mil pela Justiça do Trabalho após identificação de um comando oculto em petição judicial para tentar influenciar uma ferramenta de Inteligência Artificial utilizada pelo Judiciário.

A decisão foi assinada pelo juiz Luis Carlos de Araújo Santos Júnior, da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas. O documento continha texto em fonte branca sobre fundo branco, invisível à leitura comum, com instruções direcionadas à IA “Galileu”, sistema usado para auxiliar na elaboração de sentenças.

O magistrado classificou a prática como “prompt injection”, técnica de inserir comandos ocultos para manipular respostas de sistemas de IA, considerando-a um “ataque à integridade da atividade da Justiça” e um desrespeito ao Judiciário.

As advogadas representavam um trabalhador em ação iniciada em julho de 2025, e a multa aplicada corresponde a 10% do valor da causa, estimado em R$ 842 mil. O caso também foi comunicado à OAB-PA, e especialistas apontam que a prática viola boa-fé, lealdade e transparência processual.

Em nota, Luanna e Cristina negaram a tentativa de manipular decisão judicial, afirmando que o objetivo era “proteger o cliente da própria IA”, e não influenciar magistrados ou servidores. Elas afirmam ainda que a decisão foi baseada em “entendimento equivocado” e confiam na reversão da penalidade.

A ferramenta “Galileu”, citada no processo, foi desenvolvida pelo TRT da 4ª Região em parceria com o STF e auxilia juízes na análise automática de processos e elaboração de minutas de sentença.

Fonte: Roma news

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