“O diagnóstico é preocupante: buracos, atoleiros, trechos praticamente intrafegáveis e riscos constantes para motoristas, caminhoneiros e moradores que dependem diariamente dessas vias. O DNIT precisa cumprir com a palavra e começar a trabalhar.” A cobrança é de Nélio Aguiar, ex-prefeito de Santarém e ex-secretário regional de Governo do Baixo Amazonas, após presenciar in loco as condições precárias de trechos estratégicos dessas rodovias.
Diante desse cenário, a cobrança se intensifica sobre o Governo Federal e, principalmente, sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela manutenção das rodovias. Nélio Aguiar lembra que já havia feito a cobrança ao DNIT e orientado sobre a necessidade das ações em novembro de 2025, justamente para evitar o atual cenário de caos.
Na BR-163, os problemas se concentram no trecho entre Santarém, Rurópolis e Itaituba, corredor fundamental para o escoamento da produção agrícola e integração logística da região. Já na BR-230, a situação crítica atinge especialmente o trecho entre Uruará e Medicilândia, impactando diretamente o transporte de mercadorias e o deslocamento da população.
A gravidade do cenário se intensifica diante de um fator que gera ainda mais insatisfação: a falta de execução de investimentos previamente anunciados. Em novembro do ano passado, Nélio Aguiar esteve em Brasília, onde participou de reuniões com autoridades federais que garantiram recursos para a recuperação das rodovias. Meses depois, porém, a realidade nas estradas segue a mesma, ou ainda pior.
“O que vimos de perto é uma situação que não pode mais ser ignorada. São rodovias essenciais para a nossa região, que hoje colocam em risco a vida das pessoas e prejudicam toda a cadeia econômica. Estivemos em Brasília, ouvimos o compromisso de investimentos, mas até agora nada foi feito. A população não pode continuar pagando essa conta”, afirmou Nélio.
As rodovias BR-163 e BR-230 não são apenas vias de transporte: são eixos estruturantes para o desenvolvimento do Oeste do Pará. Por elas passam produtos agrícolas, insumos, serviços e milhares de trabalhadores que dependem de condições mínimas de trafegabilidade para garantir renda e sustento.
Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santarém, Rosielison Alves, a situação chegou a um ponto crítico.
“Hoje, quem vive da estrada está enfrentando prejuízo atrás de prejuízo. Caminhões quebram, viagens atrasam, o custo aumenta e o risco de acidentes é constante. A gente precisa de uma resposta urgente. Essas rodovias são vitais para a economia da região e não podem continuar desse jeito”, destacou.
Além dos impactos econômicos, a precariedade das vias também afeta diretamente o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, dificultando o deslocamento de moradores de comunidades ao longo das rodovias.
“Estamos falando de desenvolvimento, de segurança e de respeito com a população. Não é apenas uma questão de infraestrutura, é uma questão de dignidade. Vamos continuar cobrando, dialogando e buscando soluções, porque o Oeste do Pará não pode ficar isolado por falta de condições nas suas principais rodovias”, reforçou Nélio Aguiar.
A expectativa agora é de que as promessas feitas avancem para ações concretas, com o início imediato das obras de recuperação. Enquanto isso não acontece, moradores e trabalhadores seguem enfrentando diariamente os desafios impostos por uma infraestrutura que, hoje, está longe de atender às necessidades da região.



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