Lula pode atrair um eleitorado atípico ao contrapor Trump

O petista provoca o republicano para avançar na pauta sobre soberania e pode atrair eleitores que, por questões patriotistas, não concordam com a política entreguista que favorece os EUADivulgação 

Sob a perspectiva de resgatar uma pauta fortemente vinculada ao bolsonarismo, o presidente do Brasil e pré-candidato ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se empenha em fortalecer o discurso da soberania com vista às eleições de outubro.

O petista não poupa energia ao levantar contrapontos a Donald Trump, de olho em um possível desgaste para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na corrida presidencial.

As expectativas sobre o rebaixamento de Flávio Bolsonaro são baseadas no fortalecimento de Lula em 2025, quando os EUA aplicaram tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a percepção de patriotismo do chefe do Planalto e aumentando a aprovação popular à sua gestão. A sobretaxa foi articulada por Eduardo Bolsonaro como forma de pressionar contra o julgamento do pai, que acabou condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

Cenário desfavorável

Segundo pesquisa Datafolha, 40% da população considera o governo ruim ou péssimo, 29% acham ótimo ou bom, e outros 29% avaliam como regular. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, de 7 a 9 de abril, com margem de erro de dois pontos.

Os índices negativos refletem inflação, endividamento das famílias e escândalos como os do Banco Master e do INSS. A estratégia de Lula também visa mostrar Flávio Bolsonaro como alinhado aos interesses americanos, atraindo eleitores patriotas que rejeitam essa postura.

“Alguns eleitores que podem até não gostar do Lula, mas têm um sentimento mais patriótico e não gostam do Trump, podem aderir ao petista por gravitação. Isso é extremamente vantajoso, visto que o bolsonarismo está colado ao Trump”, afirma o estrategista político Marcos Marinho.

Popularidade de Trump em baixa

Marinho destaca que a rejeição a Trump aumentou nos últimos anos, e que os parlamentares brasileiros que o apoiam formam um grupo cada vez menor. Ele afirma que associar-se ao republicano não é positivo para Flávio Bolsonaro, considerando a percepção de incompetência e falta de habilidade política de Trump.

Fonte: O Hoje 

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