Assessoria do presidente Lula já tem orçamento em mãos, mas decidiu adiar aquisição para evitar críticas da oposição
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Com receio do desgaste eleitoral às vésperas da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recuar dos planos de adquirir uma nova aeronave presidencial. Apesar de já ter em mãos orçamentos de aviões, o Palácio do Planalto deixará o assunto de lado para evitar o impacto político negativo no ano em que o petista buscará o quarto mandato.
A cotação de preços junto ao mercado internacional foi elaborada pelo Ministério da Defesa e pela Aeronáutica e entregue a Lula, mas internamente o processo de compra não evoluiu e deve adormecer em 2026, após ter ganho fôlego no ano passado. Interlocutores consideram que o presidente reconsiderou a aquisição por estar no último ano do mandato e próximo da eleição.
O recuo de Lula ocorre no momento em que ele começa a direcionar seus esforços para a campanha presidencial. Ao longo de 2024 e 2025, Lula manifestava publicamente o desejo de comprar um novo avião, solicitando orçamentos após enfrentar ao menos três episódios de risco em voos oficiais.
A decisão vinha esbarrando no alto custo, estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, e na escassez de aeronaves adaptadas para líderes mundiais. O processo de compra pode levar meses e, mesmo após concluído, haveria ainda o tempo necessário para a entrega do novo avião.
O Ministério da Defesa ainda não conseguiu garantir recursos para agilizar a chegada de uma nova turbina para o Aerolula, que desde o incidente no México, no segundo semestre de 2024, opera com uma turbina alugada. Havia previsão de entrega em janeiro, mas o governo brasileiro deve esperar pelo menos mais um mês até a nova turbina chegar.
Adquirido há 20 anos, durante o primeiro mandato de Lula, o Airbus A319CJ sofreu uma pane no México após falha de uma turbina, obrigando a aeronave a permanecer quase cinco horas voando em círculos antes de pousar. Em março de 2025, o Aerolula precisou arremeter em Sorocaba por ventos fortes, e outro episódio ocorreu no Pará com troca de aeronave do tipo C-105 Amazonas.
A intenção de trocar o avião decorre da insatisfação de Lula e da primeira-dama, Janja, com limitações da atual aeronave em viagens internacionais, que aumentam tempo de deslocamento e exigem múltiplos pousos e decolagens. No entanto, o fator político pesou na decisão, já que a aquisição poderia gerar narrativas negativas junto à opinião pública, sobretudo em ano eleitoral.
Integrantes do governo também avaliaram que um novo avião presidencial elevaria os gastos da campanha do PT, mesmo que o bem fosse de uso exclusivo do presidente e permanecesse à disposição dos próximos chefes do Executivo.
Fonte: Mais Goiás

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