Nova fase do programa deve ser anunciada por Lula nesta semana e prevê descontos de até 90% em dívidas de consumidores endividados
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O Governo Federal deve anunciar ainda nesta semana uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas das famílias brasileiras, conhecido como “Desenrola 2.0”. A iniciativa será apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prevê, entre as principais novidades, a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como parte do processo de quitação de débitos.
A informação foi confirmada nesta segunda‑feira (27) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante agenda em São Paulo após reuniões com representantes do setor bancário.
Programa em fase final de negociação com bancos
Segundo o ministro, o governo está concluindo as conversas com instituições financeiras para fechar os detalhes do programa. Ele afirmou que o objetivo é apresentar a proposta ao presidente ainda nesta semana.
“A gente segue trabalhando com a possibilidade de usar o fundo de garantia”, disse o ministro.
Durigan explicou que o uso do FGTS será limitado e vinculado diretamente ao pagamento das dívidas, sem ultrapassar o valor devido pelos consumidores.
“A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida”, afirmou.
As reuniões desta segunda‑feira incluíram representantes de grandes instituições financeiras, como BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank, além da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). À tarde, houve encontro com executivos do Citibank.
Desenrola 2.0, FGTS e foco na redução da inadimplência
O novo programa tem como objetivo reduzir os índices de inadimplência no país, especialmente em um cenário de juros ainda elevados. A proposta é concentrar a renegociação em dívidas consideradas mais críticas, como cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.
Segundo o governo, o programa também contará com recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que deve reforçar a capacidade de negociação com os bancos.
“Vai ter um aporte no FGO também, isso está previsto nas medidas que a gente vai colocar”, disse o ministro.
A expectativa é de que os descontos oferecidos aos consumidores possam chegar a até 90%, dependendo do tipo de dívida e das condições acordadas com as instituições financeiras.
“Estamos falando de taxas de juros que variam entre 6% e 10% ao mês… então, com um desconto amplo, a gente vai chegar a descontos de até 90% nesse programa”, explicou.
Programa será medida pontual, afirma governo
Apesar da amplitude da proposta, o governo reforça que o Desenrola 2.0 não será uma política recorrente de perdão ou renegociação de dívidas. A medida é tratada como excepcional e pontual.
“Não se trata de um Refis recorrente”, destacou o ministro, ao afirmar que o programa responde a um cenário específico de endividamento das famílias.
A estimativa oficial é de que milhões de brasileiros possam ser beneficiados pela nova etapa do programa. No modelo anterior do Desenrola Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas foram atendidas, com a renegociação de aproximadamente R$ 53,2 bilhões em dívidas.
Expectativa de anúncio e próximos passos
O governo pretende finalizar os ajustes finais com bancos e apresentar oficialmente o programa nos próximos dias. Após o anúncio, o detalhamento das regras de adesão, limites de uso do FGTS e critérios de renegociação deverá ser divulgado.
Enquanto isso, o Ministério da Fazenda segue em reuniões com o setor financeiro e também com empresas do setor de energia e petróleo, como parte da agenda econômica paralela do governo.
Fonte: Portal GCMAIS.

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