Uma fila gigantesca de ônibus, caminhões e outros veículos se formou após a interdição; o movimento encerrou à tarde.
Operação na mina da Alcoa em Juruti, no oeste do Pará — Foto: Ascom Alcoa/Divulgação
Moradores da comunidade Pai Francisco, na zona rural de Juruti (PA), interditaram nesta segunda‑feira (13) o tráfego na PA‑257 (Rodovia Translago) em protesto contra a mineradora Alcoa, por falta de indenização às famílias que vivem na área mais próxima da mina de bauxita.
De acordo com a advogada Hevelyns Lira, que representa a família Fragata e outros moradores, a empresa vem se negando a pagar as indenizações a que as famílias teriam direito por perdas e danos e a título de renda pela ocupação dos terrenos, devido aos impactos causados pela exploração e beneficiamento da bauxita na Mina de Juruti.
Segundo relatos, a família Fragata ingressou na Justiça contra a Alcoa em 2014. Desde 2023, todas as reuniões entre a empresa e os comunitários contaram apenas com representantes da área de relacionamento da mineradora, sem avanços nas negociações — motivando a manifestação.
“Eles não são contra a mineradora; querem receber o que é direito deles. Se as comunidades do outro lado do rio foram indenizadas, por que eles não? … Aqui não existe muita sinalização, nem sirene”, afirmou a advogada.
Posições das partes
A advogada também relatou que em 2007 a Alcoa negociou com o pai de um dos proprietários um trecho de terra (50 m × 100 m) para uso de infraestrutura de lavagem da bauxita, reconhecendo‑os como proprietários em documento de compra e venda. Contudo, disse que a empresa tem ignorado os pleitos desde 2014.
No fim da tarde, representantes da mineradora se reuniram com os manifestantes, que deram um prazo de 15 dias úteis para uma resposta definitiva da empresa às reivindicações da comunidade Pai Francisco.
Esclarecimento da mineradora
Em nota, a Alcoa informou que a manifestação na PA‑192, Km 47, foi encerrada no início da tarde. A empresa afirmou que segue em diálogo com a comunidade e ressaltou que “prioriza a escuta ativa das comunidades locais, atuando no território com premissas de uma mineração responsável”.
Fonte: G1 Santarém

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