Zambelli foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está presa no exterior desde julho de 2025
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) entrou com um recurso nesta sexta-feira (10), para tentar reverter a decisão da Justiça italiana que autorizou a extradição para o Brasil. A informação foi confirmada ao Estadão pelo advogado Fábio Pagnozzi, responsável pela defesa da parlamentar.
Zambelli foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e está presa no exterior desde julho de 2025. O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi concluído em fevereiro e a decisão comunicada em 26 de março.
O recurso será analisado pela Corte de Cassação da Itália, podendo ser negado pelo tribunal, encerrando o processo em quatro a seis meses. Caso aceite, o mérito será reanalisado e o processo de extradição pode se estender por até dois anos.
A decisão final cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Nesta etapa administrativa, critérios políticos podem ser considerados na avaliação do caso. Caso a extradição seja confirmada, Zambelli ainda poderá recorrer ao Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lazio, ao Conselho de Estado e, como última medida, à Corte Europeia de Direitos Humanos, embora a chance de êxito seja baixa.
Se mantida, a extradição seguirá os trâmites: a Justiça italiana comunica a embaixada brasileira em Roma, a polícia do país entrega Zambelli à Interpol, que a acompanha até um voo para o Brasil. A ex-deputada será entregue à Polícia Federal ao chegar, e presa imediatamente, sendo encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, Colmeia.
Em nota, os advogados Fábio Pagnozzi e Pieremilio Sammarco afirmaram que o recurso questiona o sistema carcerário brasileiro, critica a atuação do ministro Alexandre de Moraes e aponta possíveis irregularidades processuais. Segundo Pagnozzi, há falhas na correspondência do “crime de hackeragem” à legislação italiana e na formalização do pedido de extradição.
Relembre as condenações
- Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto.
- Também foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo.
- Após a primeira condenação, deixou o país e foi presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.

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