Críticas de presidenciáveis colocam STF no centro do debate eleitoral

Pré-candidatos à Presidência da República pautam debate eleitoral com avaliações sobre o Judiciário; especialista avalia que estratégia pode ser limitadaDivulgação 

A escalada de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte de pré-candidatos à Presidência da República colocou o Judiciário brasileiro no centro do debate eleitoral de 2026. A Suprema Corte ganhou lugar de destaque nas discussões políticas e tem sido alvo, sobretudo, dos presidenciáveis à direita.

Levantamento do Poder360 mostra que 10 dos 12 pré-candidatos ao Palácio do Planalto já fizeram algum tipo de manifestação crítica ao STF, em especial contra decisões consideradas controversas por parte do eleitorado.

Simultaneamente, ministros da Corte federal também passaram a reagir publicamente aos ataques de cunho político. Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli são capitaneados pelo decano Gilmar Mendes. O grupo defende que o Supremo se defenda veementemente dos ataques públicos de pré-candidatos.

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas, Tiago Zancopé, a influência desse contexto na eleição depende da forma como diferentes perfis de eleitores priorizam suas demandas. Segundo o comentarista político, parte do eleitorado está mais preocupada com temas econômicos, como inflação e endividamento das famílias, enquanto outra parcela enxerga a crise institucional como central.

“Tem um eleitorado que entende que o problema do País é institucional. Esse eleitor quer um presidente que olhe para os ministros e fale: ‘Eu não sou aliado de vocês’. Um presidente que tenha uma relação harmônica do ponto de vista institucional e que não trabalhe para ter a simpatia dos ministros”, explica.

Espectro eleitoral específico

Segundo o especialista, os pré-candidatos que adotam um discurso mais confrontador em relação à Corte tendem a ocupar um espaço específico no espectro eleitoral. É o caso do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), citado por Zancopé como exemplo de quem tem explorado esse posicionamento.

“O Zema já atacou o fim da escala 6×1 e o STF. Está saindo como o pré-candidato que não tem nada a perder. A lógica dele é: já que a chance de ganhar é baixa, então vou falar tudo aquilo que parte do eleitorado conservador queria que o Flávio e o Caiado falassem, e eles não falam. E ele vem ocupando esse espaço e tendo público para isso”, destaca o historiador.

Para o especialista em Políticas Públicas, a estratégia do ex-governador explora a razão e o sentimento do eleitor. “A mobilização do eleitor passa pela razão e pelo coração. O Zema está indo nos dois caminhos. Então, é atacar o STF, o fim da escala 6×1, o SUS, prometer privatizações, tudo isso está no pacote do Zema”, ressaltou.

Críticas têm limite

Apesar dessa busca de parte do eleitorado, Zancopé pondera que a centralidade do STF nas discussões eleitorais pode ter limites. “O discurso contra o STF pode engajar, mas é preciso ver se isso é o suficiente para ganhar uma eleição, se é isso que está mobilizando o eleitorado brasileiro, o que me parece que não é”, pondera.

Na avaliação do especialista, temas como segurança pública, saúde e situação financeira das famílias continuam a ser os principais vetores de decisão do voto no cenário nacional.

Fonte: O hoje

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