Casos recorrentes de violência contra animais assustam moradores da comunidade, na região do Rio Amazonas.
Cachorro é morto a tiros e moradores denunciam série de maus-tratos na comunidade Piracãoera de Cima — Foto: TV Tapajós/Reprodução
Moradores da comunidade Piracãoera de Cima, em Santarém, denunciam uma série de maus-tratos contra animais. O episódio mais recente ocorreu na noite de quarta-feira (8), quando um cachorro foi morto após ser atingido por disparos de arma de fogo. Segundo relatos, tiros foram ouvidos por volta das 20h e, na manhã seguinte, o animal foi encontrado morto, gerando revolta e reforçando o sentimento de insegurança entre os moradores. A comunidade relata que outros casos semelhantes já ocorreram, inclusive envolvendo animais de grande porte, como bois.
O tutor do animal, Manuel Joelson Cardoso, disse que os disparos podem estar relacionados ao uso irregular de armas na região, inclusive para intimidação ou assaltos. Moradores também levantam a possibilidade de que ataques aos animais sejam motivados por desavenças pessoais, como forma de vingança. Diante da frequência dos episódios, os moradores pedem atuação mais rigorosa das autoridades policiais.
O comandante da 1ª Companhia de Policiamento Ambiental, major Luiz Vanderlei, orienta que, em casos de flagrante, a população deve acionar imediatamente a polícia pelo 190 ou procurar um posto policial próximo. Para situações recorrentes ou que necessitem de investigação, a recomendação é recorrer à Polícia Civil, reunindo provas como fotos, vídeos, identificação de suspeitos e testemunhas para auxiliar nas apurações.
O Policiamento Ambiental reforça que maus-tratos não se resumem a agressões físicas, mas incluem negligência, como falta de alimentação e água, exposição excessiva ao sol e condições inadequadas de higiene e abrigo. Animais domésticos feridos devem ser encaminhados para atendimento veterinário, com apoio do Centro de Zoonoses, antes da formalização da ocorrência policial.
A legislação brasileira prevê punições mais rigorosas para crimes de maus-tratos contra cães e gatos. Desde 2020, a pena passou de detenção para reclusão, podendo chegar a até cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda do animal. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará apontam crescimento desse tipo de crime, com 278 ocorrências registradas em 2020, cerca de 1.700 em 2025 e 288 casos entre janeiro e fevereiro deste ano, com nove pessoas presas.
Casos de violência contra animais também foram registrados em municípios vizinhos, como Monte Alegre, onde um cachorro teve duas patas quebradas após ser atropelado, e Óbidos, onde um homem foi flagrado empurrando um cão de uma passarela, causando fratura no animal. Diante da repetição dos casos, autoridades reforçam que a denúncia é fundamental para responsabilizar os envolvidos.
Fonte: G1 Santarém

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