Brasileiros desconfiam mais de notícias de veículos jornalísticos que de conteúdo de amigos

Pesquisa aponta que 52% se informam sobre o que está acontecendo no mundo por feeds de vídeos como TikTokDivulgação 

Cerca de metade (48%) dos usuários de internet no Brasil desconfiam sempre ou na maioria das vezes de informações produzidas por veículos de jornalismo profissional. Esse índice é maior do que a desconfiança em relação a conteúdos de amigos ou familiares em redes sociais (39%) ou aplicativos de mensagens (42%).

Apenas 36% dos usuários afirmam checar sempre a veracidade das informações recebidas por aplicativos de mensagens ou redes sociais, e 28% verificam “na maioria das vezes”. Outros 14% dizem checar “poucas vezes” ou “nunca”.

Os dados fazem parte do painel TIC, pesquisa com usuários de internet no Brasil realizada pelo Comitê Gestor da Internet, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), com entrevistas online de 5.250 usuários com 16 anos ou mais.

O levantamento mostra que a maioria das pessoas obtém informações por meios digitais:

  • 60% acessam notícias várias vezes por dia ou ao menos uma vez por dia por aplicativos de mensagens;
  • 52% por feeds de vídeos curtos, como TikTok;
  • 50% por sites ou aplicativos de vídeo.

Os percentuais são maiores do que os de telejornais (45%), sites ou portais de notícias (37%), canais de notícias 24 horas (34%), rádios (28%), jornais impressos ou digitais (26%) e revistas (22%).

O acesso diário a notícias também varia conforme a renda e escolaridade, com 58% dos entrevistados das classes A e B usando sites ou portais de notícias diariamente, frente a 33% da classe C e 27% das classes D e E.

A pesquisa indica que 47% já usaram o ChatGPT, seguido da IA do WhatsApp (42%), Gemini (30%) e Copilot (14%).

Cerca de 65% da população consome notícias diariamente, taxa que cai para 46% entre jovens de 16 a 24 anos. Entre 45 e 59 anos, o consumo diário é maior, com 79%.

A pesquisa também aponta que muitos internautas mostram apatia em relação a notícias falsas: 34% concordam totalmente com a afirmação “não vale a pena pesquisar se as informações que eu recebo são verdadeiras” e 30% com “hoje em dia as informações são tão polarizadas que não vale a pena pesquisar se são falsas ou verdadeiras”.

As razões mais citadas para não verificar informações são: esquecer de checar (36%), não ter tempo (33%), falta de interesse (33%), acreditar que a informação é verdadeira (31%) ou falsa (25%).

As cinco plataformas mais usadas diariamente, independentemente do propósito, são: WhatsApp (uso contínuo de 54%, diário de 91%), Instagram (73%), YouTube (73%), Facebook (57%) e TikTok (50%).

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