Terapia complementar reduz ansiedade, melhora comunicação e fortalece vínculos familiares em crianças com TEA
O Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA), segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante desse cenário, cresce a busca por estratégias que ampliem a qualidade de vida dessa população.
Além do tratamento multidisciplinar, voltado ao desenvolvimento de habilidades sociais, de comunicação e comportamentais, terapias complementares ganham espaço. Entre elas, destaca-se a massoterapia.
A técnica utiliza o toque e a manipulação corporal para promover relaxamento, aliviar dores e melhorar o bem-estar físico e mental. De acordo com revisão publicada na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, estudos clínicos indicam que a massagem reduz a ansiedade em crianças com TEA, melhora a comunicação social e fortalece vínculos com os pais.
O efeito tem base fisiológica. O toque estruturado estimula o sistema parassimpático, responsável por desacelerar o organismo e promover o descanso. Além disso, reduz os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Como resultado, a criança apresenta maior relaxamento, mesmo em contextos de hipersensibilidade sensorial.
Cuidados no atendimento
A aversão ao toque é um dos principais desafios no atendimento a crianças com TEA. Professor dos cursos técnicos de Massoterapia e Estética do Centro de Ensino Técnico (Centec), em Manaus, Marcos Venicius Borges de Souza orienta profissionais e famílias sobre como lidar com essa questão.
“Tudo é uma questão de adaptação durante a atividade. Tem gente que permite ser tocado na região do ombro, mas não na região lombar. O ideal é trabalhar uma parte de cada vez, sempre dosando a pressão para que a pessoa sinta conforto”, afirma.
Nesse sentido, gestos e reações durante a sessão ajudam o terapeuta a identificar limites. O vínculo, segundo ele, se constrói ao longo do tempo.
Técnicas utilizadas
Entre as técnicas mais comuns da massoterapia estão o deslizamento, o amassamento, a fricção, a percussão e o alongamento. Cada uma atua de forma específica no relaxamento muscular e na circulação.
Além dessas abordagens, o Shiatsu também pode ser aplicado. A técnica japonesa utiliza pressão em pontos específicos do corpo, favorecendo a percepção corporal e respeitando o ritmo da criança.
Os óleos essenciais funcionam como complemento. Para casos de agitação, o professor indica lavanda diluída a 2% em óleo vegetal. Já para dificuldades de foco, recomenda alecrim ou óleos cítricos, como laranja, preferencialmente no início do dia.
Aplicação em casa
Pais e responsáveis podem aplicar técnicas simples em casa, desde que orientados por um profissional. “Uma massagem rápida de cinco minutos nos pés, antes de dormir, já ajuda muito. O paciente com agitação intensa não vai permitir que você trabalhe por muito tempo, então você adapta”, explica.
Por outro lado, o vínculo familiar pode facilitar o processo. Marcos destaca que o massoterapeuta pode treinar os pais para realizar as técnicas com segurança.
“Acontece muito de os pais terem uma facilidade maior do que o terapeuta, porque a criança já confia neles. Esse treinamento para os pais poderem ajudar suas crianças no dia a dia é muito interessante”, conclui.
Com informações da assessoria

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