Toni Cunha propõe “abrir as portas” do Hospital Regional por falta de leitos em Marabá

Prefeito utilizou suas redes sociais para expor um problema que afeta diretamente a população mais carente da Região de Carajás.Divulgação 

A visita do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), à Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, trouxe à tona um tema que desafia a saúde pública na região: a superlotação do Hospital Municipal de Marabá (HMM).

Durante a conversa com o ministro, o prefeito Toni Cunha (PL) destacou a sobrecarga enfrentada por cidades polos como Marabá, que absorvem a demanda de dezenas de municípios vizinhos. Isso resulta em um sistema de saúde pressionado, com leitos constantemente ocupados e dificuldades no atendimento de urgência e emergência, serviços que poderiam ser prestados pelo Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP).

Nas redes sociais, o prefeito defendeu uma mudança no funcionamento dos hospitais regionais no Pará, como o Hospital Regional de Marabá. Segundo ele, esses hospitais operam atualmente em regime de “portas fechadas”, recebendo pacientes exclusivamente por meio da regulação estadual de leitos, centralizada em Belém. Para Toni Cunha, a abertura dos hospitais regionais para a demanda espontânea, como ocorre em estados como Amapá, Tocantins, Acre e Ceará, poderia aliviar a sobrecarga dos hospitais municipais e melhorar o atendimento à população.

No entanto, a proposta enfrenta desafios técnicos e estruturais. Os hospitais regionais no Pará não funcionam como pronto-socorro e, para se adaptarem ao modelo de "portas abertas", precisariam de reformas físicas, a criação de serviços de pronto-atendimento, reforço nas equipes médicas e revisão dos contratos de gestão com as organizações sociais. Especialistas em gestão pública ressaltam que qualquer mudança deve ser planejada de forma integrada entre municípios, Estado e União.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o governador Helder Barbalho (MDB) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a proposta, mas o tema já está em discussão nos bastidores. A população da Região de Carajás vê com bons olhos a possibilidade de acesso direto ao Hospital Regional de Marabá e aguarda uma manifestação do governador do Pará.

A falta de leitos em Marabá

Marabá, como cidade polo, atende pacientes de 23 cidades do sudeste paraense, o que pressiona constantemente o HMM. Em períodos de surtos sazonais, como doenças respiratórias, a situação piora, como ocorreu durante a pandemia da Covid-19. Para tentar amenizar o problema, a gestão municipal está prestes a inaugurar um novo pronto-socorro com 50 novos leitos, enquanto o Governo do Estado do Pará está finalizando o Hospital Materno-Infantil Estadual.

Apesar desses reforços, a Secretaria de Saúde de Marabá reconhece que os novos leitos não serão suficientes, especialmente devido ao crescimento populacional da região e à migração em busca de serviços de saúde.

Hospital Universitário: uma solução a médio prazo

A implantação do Hospital Universitário da Unifesspa é vista como uma solução estrutural, ampliando a oferta de leitos e formando profissionais de saúde. No entanto, essa obra ainda está distante da realidade dos moradores da região.

O debate público e a mobilização

A proposta de Toni Cunha tem ganhado apoio nas redes sociais. O prefeito sugeriu que eleitores da Região de Carajás priorizem, nas eleições de 2026, candidatos comprometidos com a abertura do Hospital Regional de Marabá ou com a ampliação da rede hospitalar local.

A falta de leitos em Marabá é um problema histórico que exige uma solução integrada entre os entes federativos. A população de Marabá e a região de Carajás clamam por um sistema de saúde mais eficiente e acessível, e a proposta de "portas abertas" nos hospitais regionais pode ser o primeiro passo para um redesenho da rede de atendimento na região, fundamental para garantir dignidade e acesso à saúde para quem depende do SUS.

Fonte: Portal Debate

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