“Sindicato de Pistoleiros” volta a amedrontar população da Região de Carajás no Pará

Série de crimes de pistolagem e o “modus operandi” acendem um alerta para a existência de uma agência de pistoleiros no sudeste do Pará.Divulgação 

A sequência de assassinatos registrados nos últimos anos no sudeste do Pará reacendeu o temor da população quanto à atuação de matadores de aluguel na chamada Região de Carajás. A repetição de execuções com características semelhantes levanta suspeitas sobre a possível existência de uma rede organizada de pistolagem no entorno de cidades como Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia e São João do Araguaia, ou seja, na região conhecida como os “três santos”.

A prática da pistolagem não é novidade na região. Nos anos 1980, crimes ligados a conflitos agrários ganharam notoriedade, como o assassinato do advogado Gabriel Sales Pimenta, morto em Marabá em 1982 enquanto defendia trabalhadores rurais. Em 1985, oito trabalhadores foram executados no chamado Massacre do Castanhal Ubá, ocorrido em São João do Araguaia, crime atribuído a pistoleiros, como “Sebastião da Teresona”, contratados em meio a disputas por terra e outros ilícitos na Região de Carajás. Décadas depois, novos episódios de violência voltaram a chamar atenção na região, onde ainda existem traumas causados por pistoleiros como “Marinheiro” que foi executado décadas depois de seus crimes, no Bairro Marabá Pioneira.

Crimes recentes

  • 2016 – O prefeito João Gomes da Silva foi assassinado a tiros em Goianésia do Pará. Ele era conhecido como “Russo” e foi executado a tiros em um velório.
  • 2017 – O prefeito Jones William da Silva Galvão foi executado em Tucuruí. O caso ganhou repercussão nacional e provocou uma série de assassinatos conhecidos no mundo do crime como “queima de arquivo”. No mesmo ano, o prefeito e empresário Diego Kolling, conhecido como “Alemão”, foi morto em Breu Branco, próximo a Tucuruí.
  • 2021 – O secretário municipal Benisvaldo Bento da Silva, o “Irmão Benisvaldo”, foi executado a tiros na PA-405, em São João do Araguaia. Não se tem notícias da identificação e prisão dos envolvidos no crime de pistolagem que amedrontou a pequena cidade.
  • 15 de fevereiro de 2024 – O casal Claudevan Costa Martins, o “Tutinha”, e sua esposa conhecida como “Branca” foi fuzilado por pistoleiros na Vicinal do Cajueiro, também em São João do Araguaia.
  • 30 de setembro de 2025 – Um casal identificado como “Marcos do Bidu” e Luciana foi executado dentro de casa na Vila Brasispanha, em São Domingos do Araguaia. Como sempre, prevaleceu a lei do silêncio, “Ninguém sabe, ninguém viu”.

Sequência de execuções em 2026

  • 1º de fevereiro – O pecuarista Leandro Humberto Cintra foi morto a tiros dentro de sua fazenda na zona rural de Brejo Grande do Araguaia. Os matadores de aluguel chegaram à propriedade rural, empurrando uma motocicleta como se o veículo estivesse com problemas mecânicos.
  • 13 de fevereiro – O comerciante conhecido como “André” foi executado na Gleba Fortaleza, zona rural de São Geraldo do Araguaia. As investigações estão em andamento, porém dificilmente os assassinos serão identificados e presos.
  • 8 de março – Uma chacina matou quatro pessoas em uma estrada vicinal próxima à Vila Boca do Cardoso, na cidade de Eldorado do Carajás. Entre as vítimas estava o ex-jogador do Águia de Marabá, Gilberto Rodrigues dos Santos, o “Bebezão”. A matança ganhou grande repercussão na Região de Carajás.
  • 9 de março – O comerciante conhecido como “Toni”, proprietário do Supermercado Chama, foi executado na calçada do estabelecimento em São Domingos do Araguaia. Não se tem conhecimento da prisão dos pistoleiros, pois o caso está sob investigação da Polícia Civil.
  • 13 de março – O fiscal da Adepará Fábio Alan Queiroz foi assassinado a tiros em São Geraldo do Araguaia. O agente público foi surpreendido no início da manhã em uma academia de ginástica.

Suspeita de rede de pistolagem

O “modus operandi” dos crimes — ataques rápidos, executores armados e fuga imediata — levanta a suspeita de que exista uma estrutura organizada de pistolagem atuando na Região de Carajás.

Diante da escalada de violência, cresce a cobrança para que forças de segurança como a Polícia Civil (PC), Polícia Militar (PM), Polícia Rodoviária (PRF), Polícia Federal (PF), Guarda Municipal de Marabá (GMM) e Ministério Público (MP) aprofundem investigações para identificar executores e possíveis mandantes desses crimes.

Moradores da região temem que a pistolagem volte a se consolidar como uma das faces mais violentas da criminalidade no sudeste do Pará. Os dados mencionados são parciais porque não abrangem todas as mortes provocadas pelos crimes de pistolagem no sudeste do Pará.

Para piorar a situação, a sociedade e os órgãos de segurança pública não encontraram uma maneira de “brecar” as mortes prematuras de jovens decorrentes da disputa entre facções criminosas. Afinal, as execuções efetuadas por pistoleiros no centro de pequenas e médias cidades da Região de Carajás aumentam mais ainda o medo da população do sudeste do Pará.

Fonte: Debate Carajás 

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