Encontro reuniu equipes da Atenção Primária, agentes de endemias e comunitários para reforçar protocolos de atendimento e ações de enfrentamento às arboviroses
Como parte do plano estratégico de enfrentamento à dengue, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realizou nesta quinta-feira (12) uma reunião de alinhamento com enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS), Agentes de Combate às Endemias (ACE) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da zona urbana.
O encontro reuniu aproximadamente 300 servidores na Arena Estadual do Oeste do Pará Professor Djalma Lima e teve como objetivo orientar as equipes sobre os protocolos atualizados de atendimento e enfrentamento às arboviroses, estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.
A intensificação das ações ocorre em razão do aumento no número de casos registrados no município. Desde os primeiros registros, em janeiro, até esta quinta-feira, 12, Santarém contabiliza 1.409 notificações, 276 casos confirmados de dengue e seis óbitos confirmados, além de um caso ainda em investigação, segundo dados da Divisão de Epidemiologia da Semsa.
Durante a reunião, agentes da Força Nacional do SUS apresentaram orientações sobre o fluxo e os protocolos de atendimento aos pacientes com suspeita de arboviroses, com o objetivo de esclarecer a metodologia mais adequada de atendimento nos serviços de saúde.
A enfermeira Gerana Leitão, voluntária da missão da Força Nacional do SUS, destacou pontos essenciais do protocolo que devem receber atenção das equipes:
“A notificação imediata dos casos suspeitos, a classificação de risco do paciente e a escolha adequada dos testes e exames são fundamentais para um diagnóstico preciso e para garantir o acompanhamento correto. A atuação organizada das equipes da Atenção Primária é essencial para identificar precocemente os casos e evitar agravamentos”, explicou.
A dengue possui quatro sorotipos diferentes do vírus — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Uma pessoa pode contrair a doença mais de uma vez, pois a infecção por um sorotipo não garante imunidade contra os demais. As formas mais graves da doença estão associadas à chamada dengue grave, anteriormente conhecida como dengue hemorrágica, que pode causar sangramentos, queda de pressão arterial, comprometimento de órgãos e risco de morte, especialmente em pacientes com comorbidades ou em casos de reinfecção.
O técnico da Força Nacional do SUS, Miguel Jorge Santos, também alertou os profissionais sobre a atenção ao perfil clínico dos pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas:
“Pacientes com diagnóstico de hipertensão ou diabetes exigem atenção redobrada, assim como casos em que a febre vem acompanhada de sangramentos ou sinais de agravamento. O atendimento deve seguir rigorosamente os protocolos para garantir o acompanhamento correto e evitar complicações”, orientou.
Ele também reforçou orientações que devem ser repassadas à população, como evitar a automedicação, manter hidratação frequente e repouso ao apresentar sintomas da doença.
Durante o encontro, a técnica do setor de endemias da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, Adriana Tapajós, apresentou novos dispositivos que serão incorporados às ações de controle vetorial no município. Entre eles estão as ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitorar a presença e a densidade de ovos do mosquito, e o equipamento BG-Sentinel (BGS), utilizado para capturar mosquitos adultos e avaliar a eficácia das estratégias de combate.
Segundo Adriana, o trabalho integrado entre as equipes é essencial para ampliar o alcance das ações:
“Além dos agentes de combate às endemias, os agentes comunitários de saúde também podem contribuir no processo de orientação às famílias e na identificação de possíveis focos do mosquito nas residências. Esse trabalho conjunto fortalece o controle do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya”, destacou.
O chefe de Endemias e Arboviroses da Semsa, Edvan Silva Lopes, informou que os novos materiais de monitoramento serão distribuídos inicialmente em sete bairros da área urbana com maior incidência de focos do mosquito.
“Os agentes de combate às endemias farão a entrega e a instalação desses dispositivos nas residências, em pontos estratégicos. A partir desse monitoramento será possível identificar com mais precisão as áreas de maior risco e direcionar as ações de controle com mais eficiência”, explicou.
Edvan também ressaltou o trabalho de borrifação realizado no município com apoio do 9º Centro Regional de Saúde. Desde o dia 3 de março, as equipes realizam ciclos de aplicação de inseticida com o objetivo de eliminar mosquitos adultos:
“O fumacê é uma medida complementar importante no controle da dengue. Já realizamos a borrifação nos bairros Esperança e Área Verde, e nesta semana incluímos o bairro Fátima. Seguiremos avançando conforme o planejamento, sempre aliado às demais estratégias de combate ao mosquito”, informou.
O secretário municipal de Saúde, Everaldo Martins Filho, destacou a importância do papel das equipes da Atenção Primária no enfrentamento à doença:
“Os agentes comunitários, os agentes de endemias e os enfermeiros têm um papel indispensável no cuidado com a população. São profissionais que estão na linha de frente, orientando, acompanhando e identificando precocemente os casos. Tenho certeza de que, seguindo as orientações repassadas neste encontro, poderemos observar resultados em tempo hábil e reduzir o impacto da doença no município”, afirmou.
O secretário também informou que a gestão municipal está mobilizando outras secretarias para fortalecer as ações de prevenção, principalmente no enfrentamento ao descarte irregular de lixo e materiais que podem se transformar em criadouros do mosquito:
“Tivemos uma reunião com representantes das secretarias de Meio Ambiente, Habitação, Urbanismo e Serviços Públicos para apresentar o cenário atual e alinhar estratégias conjuntas. A situação já exige atenção e esforço coletivo. Apostamos na compreensão e na colaboração de todos os setores da gestão, porque o combate ao mosquito também passa pela limpeza urbana, pelo recolhimento de pneus descartados irregularmente e pela eliminação de focos em terrenos baldios”, ressaltou Everaldo.
A Semsa reforça que a participação da população é fundamental no enfrentamento à dengue, mantendo quintais limpos, evitando o acúmulo de água parada e colaborando com as equipes de saúde durante as visitas domiciliares.
Fonte: Agência Santarém



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