A perda do comando do PSB no Pará pelo prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel, representa mais do que um revés político: trata-se, sobretudo, de um baque jurídico para ele. Até então, Daniel tinha a proteção de Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, e mais forte nome da sigla em âmbito nacional.
Na tarde desta segunda-feira (30), a deputada federal Andréia Siqueira foi confirmada na presidência do partido, que foi comandado por Daniel nos últimos anos. Agora, o PSB deixa a base oposicionista e vai compor a base governista.
Sem o controle da legenda, Dr. Daniel perde a vinculação direta com Alckmin. Na prática, isso significa menor capacidade de articulação e respaldo para o prefeito que enfrenta graves problemas na esfera judicial. Daniel é alvo de investigações que envolvem suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude à licitação e corrupção ativa e passiva.
A ausência de uma estrutura partidária alinhada a uma liderança nacional como Alckmin tende a reduzir a margem de proteção política indireta, extremamente relevante em cenários de crise como o que enfrenta o gestor de Ananindeua.
Tão grave é o momento para Daniel que já circula nos bastidores a informação de que o prefeito reavalia sua pré-candidatura a governador do Pará. Para concorrer às eleições, Daniel precisa deixar o cargo de prefeito até o dia 4 de abril, prazo máximo para a desincompatibilização eleitoral.
Ao deixar o cargo, ele perde automaticamente o foro privilegiado que possui e, agora sem a proteção de Alckmin e do PSB, sua situação jurídica fica extremamente frágil.
Até o fechamento desta matéria, Dr. Daniel não havia se manifestado publicamente sobre a perda do partido. No entanto, informações dão conta de que o baque da mudança foi duro e que a equipe de Daniel está reunida, em articulação, para decidir o que será feito nos próximos dias.
Fonte: Gazeta Carajás


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